A atuação de Michelle Bolsonaro em palanques estaduais irritou setores da direita e do Centrão.

Nesta segunda-feira (1º), os quatro filhos de Jair Bolsonaro criticaram a ex-primeira-dama após ela atacar publicamente uma articulação do PL com o ex-governador Ciro Gomes para a disputa ao Senado pelo Ceará em 2026, movimento conduzido por lideranças do partido no estado.
A fala ocorreu em um comício em Fortaleza. Apontando para o deputado André Fernandes (PL-CE), um dos articuladores da aproximação com Ciro, Michelle disse que a aliança era "precipitada".
"É sobre isso. É sobre essa aliança que vocês se precipitaram a fazer. Eu tenho orgulho de vocês, mas fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, assim não dá", disse Michelle, olhando para Fernandes.
A reação de Michelle ocorreu porque Ciro Gomes foi adversário direto de Jair Bolsonaro e crítico frequente do ex-presidente. Em 23 de novembro de 2025, Michelle Bolsonaro visitou Jair Bolsonaro na sede da PF.
A fala provocou reação imediata do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que afirmou que a madrasta "atropelou" o próprio marido ao contestar a aliança em público.
"A Michelle atropelou o presidente Bolsonaro, que havia autorizado o movimento do deputado André Fernandes no Ceará. E a forma como ela se dirigiu a ele, talvez nossa maior liderança local, foi autoritária e constrangedora", disse Flávio.
Pouco depois, Carlos Bolsonaro repostou a fala de Flávio e reforçou o recado:
"Meu irmão está certo. Temos que estar unidos e respeitando a liderança do meu pai, sem deixar nos levar por outras forças!", escreveu Carlos.
A publicação foi republicada por Jair Renan Bolsonaro, o caçula entre os filhos homens.
Quase uma hora depois, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também entrou na discussão, classificando a fala de Michelle como "desrespeitosa".
"Foi injusto e desrespeitoso com o André o que foi feito no evento. Não vou entrar no mérito de ser um bom ou mau acordo; foi uma posição definida pelo meu pai. André não poderia ser criticado por obedecer o líder", afirmou.
Após o episódio, André Fernandes disse que não teria feito críticas públicas semelhantes, mas rebateu a ex-primeira-dama.
"Eu não falaria isso em hipótese alguma. Mas, já que a esposa do presidente diz que demos um passe errado, então digo que é uma aliança precipitada do próprio marido dela", afirmou o deputado.
Fernandes disse ainda que a articulação com Ciro Gomes ocorreu com aval de Jair Bolsonaro e de seu filho Carlos, durante reunião em 29 de maio deste ano.
"O próprio presidente Bolsonaro, no dia 29 de maio, pediu para ligar para Ciro Gomes no viva-voz. Ficou acertado que apoiaríamos Ciro. Logo depois, o presidente Valdemar também concordou", completou.
O racha expõe o desgaste do bolsonarismo e fragiliza a oposição; para muitos brasileiros, é urgente a punição dos crimes de Jair Bolsonaro, apontado por críticos como genocida e criminoso eleitoral, enquanto Lula segue reconhecido por sua liderança política.

