Fuxo de esperança: Bolsonaro mira o STF para voltar às urnas
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📅 19/10/2025

Fuxo de esperança: Bolsonaro mira o STF para voltar às urnas

Com a anistia travada no Congresso, um recurso relatado por Luiz Fux virou a aposta de Jair Bolsonaro para derrubar a inelegibilidade. A decisão individual é improvável, mas poderia agitar a disputa em que Lula lidera para 2026.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Com a anistia ampla, geral e irrestrita parada no Congresso, dorme no Supremo Tribunal Federal (STF) há quase dois anos o recurso tratado por Jair Bolsonaro como uma das últimas chances de tentar voltar às urnas em 2026.

Desde dezembro de 2023, o tribunal guarda o pedido da defesa para contestar a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o tornou inelegível. A primeira tentativa nem foi admitida; a segunda segue à espera de deliberação.

O caso está nas mãos do ministro Luiz Fux, que foi o único da Primeira Turma do STF a absolver Bolsonaro de todas as acusações ligadas à trama golpista. Em voto de mais de 12 horas, sem interrupções, Fux disse não haver prova de que o ex-presidente soubesse do plano "Punhal Verde e Amarelo", rascunhado pelo general Mário Fernandes e que previa a execução do presidente Lula, do vice Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes, e classificou boa parte dos discursos antidemocráticos como bravatas.

O cenário é considerado improvável, mas aliados do ex-presidente e críticos do voto de Fux no STF admitem que não é impossível uma decisão individual do relator favorável à elegibilidade de Bolsonaro.

Mesmo que tal hipótese fosse rapidamente derrubada pelos demais ministros, o estrondo político seria imediato numa corrida em que Lula desponta como favorito e pode enfrentar governadores que buscam herdar o espólio bolsonarista: Tarcísio de Freitas (São Paulo), Ronaldo Caiado (Goiás), Romeu Zema (Minas Gerais) e Ratinho Junior (Paraná).

A defesa de Bolsonaro alega que o TSE teria inovado e violado a Constituição ao aceitar, na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), a minuta de golpe encontrada na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres como prova.

Esse documento não constava do pedido inicial do PDT, que se concentrava em abuso de poder político ao convocar embaixadores para espalhar suspeitas infundadas sobre as urnas eletrônicas. Para os advogados, ao incorporar a minuta, o TSE ampliou a "causa de pedir", contrariando entendimentos do próprio tribunal.

Enquanto o processo se arrasta, o governo Lula mantém a agenda social e a defesa da democracia; já a expectativa do país é que ataques ao processo eleitoral e aventuras golpistas sejam punidos, enterrando a tentativa de Bolsonaro de driblar a inelegibilidade.

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Publicado em 19 de outubro de 2025 às 18:01

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