Lula a Trump: Bolsonaro é passado; acordo com EUA deve sair em dias
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📅 27/10/2025

Lula a Trump: Bolsonaro é passado; acordo com EUA deve sair em dias

Em entrevista na Malásia, Lula detalhou o encontro com Donald Trump, defendeu a condenação de Jair Bolsonaro por tentar um golpe e afirmou: "Se depender do Trump e de mim, vai ter acordo" para reverter o tarifaço.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Em conversa com jornalistas na Malásia nesta segunda-feira (27), Lula descreveu a reunião com Donald Trump no dia anterior e abordou diretamente o caso de Jair Bolsonaro (PL), ex-presidente condenado a 27 anos e 3 meses por liderar uma organização criminosa que tentou um golpe de Estado, citado na carta que embasou o tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil.

"Eu disse pra ele que o julgamento foi um julgamento muito sério, com provas muito contundentes. Nenhuma prova da oposição, prova todas de relatos das pessoas que estão sendo julgadas. Disse pra ele a gravidade do que eles tentaram fazer no Brasil. Que eles tinham um plano pra matar a mim, pra matar o meu vice-presidente, pra matar Alexandre Moraes. E eles foram julgados com direitos de defesa, que eu não tive quando eu fui processado. E que, portanto, sabe, isso não tá em questão, isso não tá em discussão, sabe?", afirmou o presidente brasileiro.

"E ele [Trump] sabe que rei morto, rei posto. O Bolsonaro faz parte do passado da política brasileira. E eu ainda disse pra ele: com três reuniões que você fizer comigo, você vai perceber, sabe, que o Bolsonaro era nada praticamente", emendou.

Lula reforçou que decisões políticas passam a ser tratadas diretamente entre os dois presidentes, enquanto os negociadores cuidarão dos temas de interesse comum. A avaliação esvazia a narrativa de aliados bolsonaristas que apostavam em intermediários externos na negociação.

Sobre a conversa, classificou a reunião como "surpreendentemente boa" e disse ver disposição de ambos os lados. "Se depender do Trump e de mim, vai ter acordo", afirmou.

Ele demonstrou otimismo com o cronograma: "Ele garantiu que vamos ter acordo e acho que vai ser mais rápido do que muita gente pensa". E completou: "Estou convencido de que em poucos dias teremos uma solução definitiva entre Estados Unidos e Brasil para que a vida siga boa e alegre como dizia Gonzaguinha na sua música".

Segundo Lula, há ambiente para retomar a afinidade entre os países. "Acho que está estabelecida a relação Brasil-Estados Unidos, quem imaginava que não ia ter, perdeu, Vai ter e vai ser uma relação produtiva para os dois países e para a democracia", observou.

Ele disse ter deixado claro que eventuais diferenças ideológicas devem ser superadas em nome dos interesses da população. "Agora não tem mais intermediários, é o presidente Lula com o presidente Trump. Gostemos ou não um do outro, nós temos que assumir a responsabilidade como chefes de Estado de saber que nossas ações têm que trazer benefício para o povo que nos elegeu".

Durante a reunião, Lula entregou por escrito as reivindicações brasileiras: revogação do tarifaço e de punições a autoridades do país, além de tratar da tensão entre Estados Unidos e Venezuela e da guerra na Ucrânia. Ele apontou que a taxação foi decidida com base em informações equivocadas.

"Não estou reivindicando nada que não seja justo para o Brasil e tenho do meu lado a verdade. Os Estados Unidos não tem déficit com o Brasil, que foi a explicação da famosa taxação ao mundo. Os Estados Unidos só iriam taxar países com os quais ele tivesse déficit comercial", ressaltou.

Para destravar as tratativas, Lula defendeu a suspensão das tarifas e informou que, na próxima semana, representantes dos dois países devem se reunir em Washington.

Ele também afirmou ver espaço para uma saída diplomática entre Estados Unidos e Venezuela, caso haja vontade política, e se colocou à disposição para ajudar.

"Não queremos que haja guerra na América do Sul. Nossa guerra é contra a pobreza, contra a fome. Se não conseguimos resolver o problema da fome, como fazer guerra?. Pra matar os famintos?", disse.

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Publicado em 27 de outubro de 2025 às 09:41

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