Lula vira o jogo com Trump e prevê acordo rápido com os EUA
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📅 27/10/2025

Lula vira o jogo com Trump e prevê acordo rápido com os EUA

Após reunião na Malásia, Lula disse que a conversa com Donald Trump foi "surpreendentemente boa" e sinalizou solução em poucos dias para as tarifas de 50% contra o Brasil.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Em coletiva na Malásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o encontro de domingo, 26, com o presidente americano Donald Trump foi "surpreendentemente boa" e abriu caminho para destravar as disputas comerciais entre os dois países.

"Se depender do Trump e de mim, vai ter acordo. Eu estou convencido de que, em poucos dias, nós teremos uma solução definitiva entre Estados Unidos e Brasil", declarou.

Lula criticou a taxação imposta a produtos brasileiros e disse que a decisão se baseou em dados errados. "O que não pode é acontecer o que aconteceu com o Brasil. Com base em informações erradas, tomaram a decisão de taxar o Brasil em 50%", afirmou. Segundo ele, foi entregue a Trump um documento com dados do comércio bilateral: "Nós provamos que houve um superávit de 410 bilhões de dólares em 15 anos. Só no ano passado, foram 22 bilhões favoráveis aos Estados Unidos".

O presidente disse que o encontro serviu para "recolocar a verdade na mesa" e que formalizou por escrito os pontos do Brasil. "Eu fiz questão de colocar por escrito tudo o que o Brasil tinha a dizer. Todo mundo que leu aquela carta sabia que as informações contra o Brasil estavam erradas. Disse a ele que, se queremos um acordo, precisamos colocar gente que goste do Brasil para negociar. Se você coloca alguém de má vontade na mesa, não tem acordo".

Lula afirmou que, daqui para frente, a relação será direta entre os dois líderes. "Agora é o presidente Lula com o presidente Trump. Gostemos ou não um do outro, nós dois temos de assumir a responsabilidade como chefes de Estado e garantir que nossas ações tragam benefícios aos povos que nos elegeram", disse. E completou: "Eu saio muito otimista dessa reunião. Tenho a convicção de que o impasse será resolvido rapidamente."

Mesmo com diferenças políticas, Lula destacou o respeito mútuo. "Eu fiz questão de dizer ao presidente Trump que o fato de termos posições políticas diferentes não impede que dois chefes de Estado tratem com respeito. Ele me respeita porque fui eleito pelo voto democrático do povo brasileiro, e eu o respeito porque ele foi eleito pelo voto democrático do povo americano. Isso colocado na mesa, tudo fica mais fácil."

Ele disse que não há temas proibidos no diálogo com Washington. "Se quiser discutir China, Venezuela, minerais críticos, terras raras, etanol ou açúcar — qualquer assunto pode ser colocado na mesa. Eu sou uma metamorfose ambulante na negociação: o que quiser discutir, eu discuto".

O objetivo, segundo Lula, é zerar as divergências e reconstruir a confiança. "Nós temos que começar do patamar zero. Vamos voltar à estaca zero e saber onde queremos chegar. Se houver disposição de ambos os lados, não haverá problema para nenhum setor da economia brasileira", afirmou. "Brasil e Estados Unidos precisam dar exemplo de cordialidade, de livre comércio e de multilateralismo."

Lula disse ainda ter tratado de punições a autoridades brasileiras por parte dos EUA, classificando as medidas como "sem lógica". "Expliquei que nossos ministros estão apenas cumprindo a Constituição. Fiz questão de entregar um documento formal sobre o tema, e ele leu na minha frente".

Sobre a dinâmica pessoal com Trump, Lula afirmou: "O ser humano é 80% química e 20% razão e emoção. E eu acho que é isso que pintou entre mim e o presidente Trump". E emendou: "Espero que essa química dê frutos ao povo brasileiro e ao povo americano, porque nós dois queremos o mesmo: resolver as diferenças e fazer as coisas andarem."

No balanço final, reforçou o otimismo. "Eu estou convencido de que em poucos dias nós teremos uma solução definitiva entre Estados Unidos e Brasil", disse. E concluiu: "Se depender do Trump e de mim, vai ter acordo — e vai ser um acordo bom para os dois países."

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Publicado em 27 de outubro de 2025 às 09:41

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