O Senado dos Estados Unidos aprovou um projeto de lei que anula as tarifas impostas por Donald Trump ao Brasil, em itens como petróleo, café e suco de laranja, mas a iniciativa tem poucas chances de prosperar na Câmara, controlada pelos republicanos.
O texto, apresentado pelo senador democrata Tim Kaine, da Virgínia, pretende derrubar as cobranças adicionais que afetaram exportadores brasileiros e pressionaram cadeias produtivas.
Mesmo com o aval do Senado, a Câmara pode barrar o avanço por novas regras internas, e Trump ainda pode vetar a proposta.
Para Kaine, as votações servem para forçar o debate sobre "a destruição econômica causada pelas tarifas". Na prática, a medida tem caráter simbólico e explicita a insatisfação com a política tarifária de Trump.
O projeto também propõe revogar o estado de emergência nacional usado pela Casa Branca para impor tarifas de importação de até 50% sobre produtos brasileiros desde agosto.
A aprovação no Senado foi apertada, por 52 a 48, e expôs resistências no Partido Republicano às tarifas de Trump. Cinco republicanos votaram com os democratas: Susan Collins (Maine), Mitch McConnell (Kentucky), Lisa Murkowski (Alasca), Rand Paul (Kentucky) e Thom Tillis (Carolina do Norte).
Aliados de Trump têm demonstrado desconforto com a política comercial em meio à instabilidade econômica. O Escritório de Orçamento do Congresso estima que as tarifas elevam desemprego e inflação e reduzem o crescimento.
Kaine deve apresentar novas resoluções para suspender tarifas a outros países, como o Canadá, ainda nesta semana.
A movimentação ocorre enquanto avançam as negociações entre Brasil e Estados Unidos. No domingo (26), Lula e Trump se reuniram por cerca de 45 minutos na Malásia, elevando a expectativa de exportadores por alívio tarifário.
Trump afirmou que, apesar de o encontro ter sido "muito bom", isso não garante acordo imediato: "Eles gostariam de fazer um acordo. Vamos ver, agora mesmo estão pagando cerca de 50% de tarifa."
Os líderes decidiram iniciar um processo de negociação bilateral. Já na segunda-feira (27), representantes comerciais dos dois países realizaram a primeira reunião.
Participaram o chanceler Mauro Vieira, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, e o embaixador Audo Faleiro. O grupo definiu um calendário de encontros focado nos setores mais afetados.
Segundo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, ainda não há data para a próxima rodada.
Na segunda-feira, Lula disse que "não existem temas proibidos" para negociar, do pacote de minerais estratégicos a açúcar e etanol, e propôs suspender temporariamente as tarifas durante as conversas, como ocorreu com México e Canadá.
O governo brasileiro contestou a justificativa dos EUA para as tarifas. Lula entregou a Trump um documento apontando superávit de US$ 410 bilhões acumulado pelos EUA na balança com o Brasil nos últimos 15 anos.
O encontro foi descrito como cordial. Trump afirmou ter sido "uma grande honra" conversar com Lula, e ambos cogitaram visitas recíprocas, ainda sem data.
Para a Confederação Nacional da Indústria, a Amcham e outros setores empresariais, o diálogo representa "um avanço concreto", com expectativa de acordo nas próximas semanas.
