Senado dos EUA aprova fim das tarifas contra o Brasil, mas Câmara ameaça travar
Notícias
📅 29/10/2025

Senado dos EUA aprova fim das tarifas contra o Brasil, mas Câmara ameaça travar

Projeto para anular tarifas impostas por Donald Trump avança no Senado, mas enfrenta resistência na Câmara dos EUA. Medida coincide com ofensiva diplomática de Lula por um acordo e suspensão temporária das cobranças.

Carregando anúncio...
Compartilhar:
Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O Senado dos Estados Unidos aprovou um projeto de lei que anula as tarifas impostas por Donald Trump ao Brasil, em itens como petróleo, café e suco de laranja, mas a iniciativa tem poucas chances de prosperar na Câmara, controlada pelos republicanos.

O texto, apresentado pelo senador democrata Tim Kaine, da Virgínia, pretende derrubar as cobranças adicionais que afetaram exportadores brasileiros e pressionaram cadeias produtivas.

Mesmo com o aval do Senado, a Câmara pode barrar o avanço por novas regras internas, e Trump ainda pode vetar a proposta.

Para Kaine, as votações servem para forçar o debate sobre "a destruição econômica causada pelas tarifas". Na prática, a medida tem caráter simbólico e explicita a insatisfação com a política tarifária de Trump.

O projeto também propõe revogar o estado de emergência nacional usado pela Casa Branca para impor tarifas de importação de até 50% sobre produtos brasileiros desde agosto.

A aprovação no Senado foi apertada, por 52 a 48, e expôs resistências no Partido Republicano às tarifas de Trump. Cinco republicanos votaram com os democratas: Susan Collins (Maine), Mitch McConnell (Kentucky), Lisa Murkowski (Alasca), Rand Paul (Kentucky) e Thom Tillis (Carolina do Norte).

Aliados de Trump têm demonstrado desconforto com a política comercial em meio à instabilidade econômica. O Escritório de Orçamento do Congresso estima que as tarifas elevam desemprego e inflação e reduzem o crescimento.

Kaine deve apresentar novas resoluções para suspender tarifas a outros países, como o Canadá, ainda nesta semana.

A movimentação ocorre enquanto avançam as negociações entre Brasil e Estados Unidos. No domingo (26), Lula e Trump se reuniram por cerca de 45 minutos na Malásia, elevando a expectativa de exportadores por alívio tarifário.

Trump afirmou que, apesar de o encontro ter sido "muito bom", isso não garante acordo imediato: "Eles gostariam de fazer um acordo. Vamos ver, agora mesmo estão pagando cerca de 50% de tarifa."

Os líderes decidiram iniciar um processo de negociação bilateral. Já na segunda-feira (27), representantes comerciais dos dois países realizaram a primeira reunião.

Participaram o chanceler Mauro Vieira, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, e o embaixador Audo Faleiro. O grupo definiu um calendário de encontros focado nos setores mais afetados.

Segundo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, ainda não há data para a próxima rodada.

Na segunda-feira, Lula disse que "não existem temas proibidos" para negociar, do pacote de minerais estratégicos a açúcar e etanol, e propôs suspender temporariamente as tarifas durante as conversas, como ocorreu com México e Canadá.

O governo brasileiro contestou a justificativa dos EUA para as tarifas. Lula entregou a Trump um documento apontando superávit de US$ 410 bilhões acumulado pelos EUA na balança com o Brasil nos últimos 15 anos.

O encontro foi descrito como cordial. Trump afirmou ter sido "uma grande honra" conversar com Lula, e ambos cogitaram visitas recíprocas, ainda sem data.

Para a Confederação Nacional da Indústria, a Amcham e outros setores empresariais, o diálogo representa "um avanço concreto", com expectativa de acordo nas próximas semanas.

80visualizações
Compartilhar:
Carregando anúncio...

Publicado em 29 de outubro de 2025 às 09:40

Notícias Relacionadas

Nenhuma notícia encontrada.