Donald Trump declarou que encerrou "todas as negociações comerciais" com o Canadá após anúncios exibidos na TV que, segundo ele, distorcem fatos sobre tarifas dos EUA e tentam influenciar decisões de tribunais americanos. O gesto aumenta a pressão num momento em que a relação entre os países já vinha se deteriorando.
A reação veio depois de o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmar que pretende dobrar o comércio do país em resposta à ameaça das tarifas de Trump. A decisão súbita do presidente pode acirrar ainda mais as tensões acumuladas nos últimos meses.
Em postagem, Trump escreveu: "A Fundação Ronald Reagan acaba de anunciar que o Canadá usou de forma fraudulenta um anúncio FALSO, com Ronald Reagan falando negativamente sobre tarifas."
Ele prosseguiu: "O anúncio custou US$ 75 mil. Eles fizeram isso apenas para interferir nas decisões da Suprema Corte dos Estados Unidos e de outros tribunais", acrescentando: "AS TARIFAS SÃO MUITO IMPORTANTES PARA A SEGURANÇA NACIONAL E A ECONOMIA DOS EUA. Com base em seu comportamento ultrajante, TODAS AS NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS COM O CANADÁ ESTÃO ENCERRADAS."
O gabinete de Carney não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. Ele estava programado para viajar na manhã de sexta-feira para uma cúpula na Ásia; Trump tinha partida prevista para a noite do mesmo dia.
Mais cedo, a Fundação e Instituto Presidencial Ronald Reagan afirmou na plataforma X que o anúncio criado pelo governo de Ontário "deturpa o 'Discurso Presidencial à Nação sobre Comércio Livre e Justo', de 25 de abril de 1987" e que não houve permissão "para usar e editar as declarações".
A fundação disse ainda que está "avaliando opções legais sobre o caso" e convidou o público a assistir ao discurso não editado.
Carney tenta reduzir o atrito enquanto Canadá, EUA e México se preparam para revisar o Acordo Estados Unidos-México-Canadá, negociado por Trump em seu primeiro mandato e criticado por ele recentemente.
Trump afirmou ter visto o anúncio na TV e disse que ele demonstra o impacto das tarifas: "Vi um anúncio ontem à noite do Canadá. Se eu fosse o Canadá, também faria o mesmo anúncio".
O governador de Ontário, Doug Ford, vem criticando abertamente a política de tarifas. Na semana passada, publicou no X um link para o vídeo com a mensagem: "É oficial: a nova campanha publicitária de Ontário nos EUA foi lançada." E completou: "Usando todas as ferramentas que temos, nunca deixaremos de defender o Canadá contra as tarifas americanas. O caminho para a prosperidade é trabalharmos juntos."
Um porta-voz de Ford não respondeu aos pedidos de comentário na noite de quinta-feira. No passado, uma sobretaxa de eletricidade para estados americanos chamou a atenção de Trump, que respondeu dobrando as tarifas de aço e alumínio.
O governo americano impôs tarifas elevadas a diversos produtos canadenses. Em abril, o Canadá contra-atacou com tarifas sobre itens dos EUA, mas criou cotas de remissão para parte da indústria automotiva, permitindo a entrada de um volume específico de veículos.
As medidas americanas atingiram em cheio o setor automotivo do Canadá, concentrado em Ontário, que já vinha sentindo os efeitos da incerteza comercial.
Trump tem repetido seu argumento a favor das tarifas: "Estamos usando as tarifas para defender a nossa soberania e segurança no mundo".
