Bolsonaro veta projeto que dá nome de João Goulart para rodovia

Em sua justificativa, o presidente explicou que homenagens a personalidades históricas, como Jango que foi deposto pela ditadura, não podem ser inspiradas 'por práticas dissonantes das ambições de um Estado Democrático'

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2021-10-14 21:06:08

Correio Brasiliense

O presidente Jair Bolsonaro vetou, nesta quinta-feira (14/10), um projeto de lei que dá o nome do ex-presidente João Goulart (1918-1976) à quase totalidade da BR-153, mais conhecida como Belém-Brasília. A rodovia federal com cerca de 3.500 km de extensão perpassa as cidades de Marabá, no Pará, e Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul.

A proposta que busca homenagear o presidente deposto pelo golpe militar, é de autoria do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e foi aprovada pelo Senado em 2012. Em setembro deste ano, foi aprovada pela Câmara. Com o aval das duas Casas, o texto seguiu para sanção presidencial.

No veto, Bolsonaro afirma que consultou os ministros Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura; e Ciro Nogueira, da Casa Civil. Para ele, por atravessar oito estados, a medida não considera 'as especificidades e as peculiaridades de cada estado'.

Isso porque 'homenagear apenas uma figura histórica poderia representar descompasso com os anseios e as expectativas da população de cada unidade federativa abrangida pela rodovia'.

Além disso, o presidente destacou que personalidades históricas do país podem ser homenageadas 'desde que a homenagem não seja inspirada por práticas dissonantes das ambições de um Estado Democrático'.

João Vicente Goulart, filho de Jango, escritor e filósofo, respondeu a decisão e afirmou que: '(o pai) jamais admitiria ser homenageado por esse atual presidente. Esse veto, partindo de Bolsonaro, é até um elogio. É para colocar no currículo de João Goulart'.

Em entrevista ao jornal O Globo, ele ainda afirmou que “é mais um ganho na biografia gigante do Jango'.

 

 

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