Comitê de crise mantém medidas em hidrelétricas até fevereiro e não fala em fim da bandeira da ‘escassez hídrica’, citado por Bolsonaro

“Flexibilizações hidráulicas” vêm sendo adotadas desde o fim do primeiro semestre para reduzir a queda no nível dos reservatórios das usinas do Sudeste — as mais afetadas pela falta de chuva

COMPARTILHE:

2021-10-16 03:42:06

Valor Economico

Em reunião sobre a crise hídrica desta sexta-feira (15), ministros do governo Jair Bolsonaro (sem partido), reunidos na Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (Creg), decidiram manter as “flexibilizações hidráulicas” nas hidrelétricas Jupiá e Porto Primavera até fevereiro do ano que vem. A estratégia vem sendo adotada desde o fim do primeiro semestre para reduzir a queda no nível dos reservatórios das usinas do Sudeste — as mais afetadas pela falta de chuva.

“A operação flexibilizada para o horizonte, a partir de março de 2022, será avaliada oportunamente em nova reunião da Creg”, informou o Ministério de Minas e Energia (MME), em nota divulgada há pouco.

Havia a expectativa de que o colegiado, que funciona como comitê de crise, pudesse avaliar eventual determinação do presidente Bolsonaro, sinalizada quinta-feira (14) à noite, em acabar com a “bandeira escassez hídrica” a partir do próximo mês. Trata-se de cobrança, ainda mais cara que a bandeira vermelha patamar 2, criada pela Creg para cobrir a despesa com a geração de energia proveniente de usinas térmicas até abril do ano que vem.

Hidrelétrica de Porto Primavera: Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (Creg) mantém “flexibilizações hidráulicas” — Foto: valor

A eventual suspensão da nova bandeira tarifária não foi mencionada no comunicado oficial divulgado pelo MME após a reunião da Creg. O ministério informou que, no encontro, foram avaliadas as “condições hidroenergéticas” verificadas no país e informações encaminhadas pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE).

Nesta sexta (15), representantes do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) fizeram uma apresentação sobre previsões climáticas, “contemplando diferentes horizontes temporais e agregações”. Foi observado que, nos últimos dias, houve “aumento das chuvas no país, especialmente na região Sul, características que apontam para a transição para o período tipicamente úmido, dentro dos padrões usuais” e “além disso, há expectativa de ocorrência de chuvas em maiores volumes nas regiões Sudeste/Centro-Oeste no curto prazo”.

“No entanto, apesar do aumento das chuvas, a situação ainda requer atenção, fato também impactado pelas atuais condições do solo, bastante seco, e, portanto, maiores dificuldades de transformação das chuvas em vazões, ou seja, em volumes significativos de água que chegam nos reservatórios do país”, alertou o governo, no comunicado oficial.

COMPARTILHE:

COMENTÁRIOS

PUBLIQUE UM COMENTÁRIO

Enviar