Milhares protestam em defesa do direito ao aborto nos EUA, dando início ao 'verão da fúria'

Decisão da Suprema Corte que pode derrubar legalidade da interrupção da gravidez é esperada para o próximo mês, e progressistas se mobilizam para pressionar corte e Partido Democrata

O Globo

2022-05-14 21:03:12

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WASHINGTON- Milhares de defensora e defensores do direito ao aborto foram às ruass nos Estados Unidos neste sábado para expressar seu descontentamento com a iminente mudança na legislação sobre direitos reprodutivos no país, com a derrubada da decisão do caso Roe vs. Wade pela Suprema Corte.

As manifestações têm o propósito de iniciar o que a organização chama de “o verão da fúria”, e respondem ao rascunho de uma decisão que vazou no dia 2 de maio indicando que a maioria conservadora do mais alto tribunal americano está pronta para reverter a decisão histórica de 1973 que estabeleceu o direito constitucional federal de interromper uma gravidez.

Houve grandes protestos em Nova York, Washington, Los Angeles e Chicago, com alguns contra-protestos menores. Na capital, perto do Monumento a Washington, alguns manifestantes acenaram com cartazes com mensagens como 'Como eles ousam', 'Somos a maioria' e 'Revide, proteja a escolha'.

Contexto:  Entenda o que é a Roe vs Wade, que garante o dir

eito ao aborto nos EUA com base no direito da mulher à privacidade

Roe v. Wade: O que pode mudar com a decisão da Suprema Corte?

A decisão final do tribunal, que pode dar aos estados o poder de proibir o aborto, está prevista para junho. Cerca de metade dos estados dos EUA pode proibir ou restringir severamente o aborto logo após uma decisão oficial.

Em Nova York, o clima era agitado, e milhares de defensoras e defensores do direito ao aborto cruzaram a ponte do Brooklyn em direção a Manhattan.

Elizabeth Holtzman, uma manifestante de 80 anos que foi deputada por Nova York no Congresso de 1973 a 1981, disse que o projeto de veredito vazado da Suprema Corte 'trata as mulheres como objetos, como seres humanos inferiores'.

Malcolm DeCesare, um enfermeiro de 34 anos de uma unidade de terapia intensiva que participou de uma manifestação perto da prefeitura de Los Angeles, disse que acabar com o direito ao aborto legal pode colocar vidas em risco, já que as mulheres buscam alternativas inseguras.

As ações foram em geral pacíficas, embora ao menos um contra-manifestante tenha sido escoltado por seguranças em Washington.

O Students for Life of America, um grupo de defesa antiaborto com sedes em campi universitários em todo o país, disse que estava realizando contra-protestos no sábado em nove cidades, incluindo Washington.

Em um protesto pelo direito ao aborto em Atlanta, mais de 400 pessoas se reuniram em um pequeno parque em frente ao Capitólio do estado, enquanto cerca de uma dúzia de contra-manifestantes se reuniram em uma calçada próxima.

Tribunais:   Estados americanos entrarão em batalhas judiciais caso Suprema Corte proíba direito ao aborto no país

Segurando uma placa que dizia: 'Pare o sacrifício infantil', Bria Marshall, 23 anos, recém-formada em saúde pública pela Universidade Estadual Kennesaw, reconheceu a inferioridade numérica do seu grupo.

— Jesus tinha apenas um pequeno grupo, mas sua mensagem era mais poderosa — disse Marshall, membro de uma igreja evangélica. — Espero plantar algumas sementes em seus corações para mudar as mentes.

A Planned Parenthood, a Women's March e outros grupos de direitos ao aborto organizaram mais de 400 protestos com o tema 'Tire suas proibições dos nossos corpos' no sábado, com a marcha de Washington terminando na Suprema Corte. O tribunal tem sido alvo da indignação progressista nas últimas duas semanas.

Ativistas disseram que este seria o primeiro de muitos protestos coordenados em torno da decisão da Suprema Corte.

— Para as mulheres deste país, este será um verão de fúria — disse Rachel Carmona, presidente da Marcha das Mulheres. Seremos insubordináveis até que este governo comece a trabalhar para nós, até que os ataques aos nossos corpos diminuam, até que o direito ao aborto seja transformado em lei.

Vários milhares de defensores do direito ao aborto se reuniram em um parque de Chicago, incluindo o deputado Sean Casten e sua filha de 15 anos, Audrey.

Casten, cujo distrito inclui os subúrbios do Oeste de Chicago, disse à Reuters que é 'horrível' que a Suprema Corte, dominada por uma supermaioria conservadora, considere eliminar o direito ao aborto e 'condene as mulheres a esse status inferior'.

Reações:   Sinalização da Suprema Corte contra o aborto põe em risco outros direitos baseados na 'privacidade' nos EUA

Os democratas, que atualmente ocupam a Casa Branca e as duas Câmaras do Congresso, esperam que a reação à decisão da Suprema Corte leve os candidatos de seu partido à vitória nas eleições parlamentares de novembro.

Mas os eleitores vão pesar o direito ao aborto contra outras questões, como os preços crescentes de alimentos e gás. Muitos estão céticos quanto à capacidade dos democratas de proteger o acesso ao aborto, depois do fracasso de esforços para aprovar uma lei que consagraria o direito na lei federal.

— Posso entender que as pessoas não gostem da ideia do aborto, mas ele ainda deve ser possível — disse Brita Van Rossum, uma paisagista de 62 anos que viajou da Filadélfia para Washington para protestar.

Na semana passada, manifestantes se reuniram do lado de fora das casas dos juízes da Suprema Corte Samuel Alito e Brett Kavanaugh, que votaram para derrubar a decisão de Roe vs. Wade, de acordo com a opinião vazada.

O juiz Clarence Thomas disse em uma conferência em Dallas na sexta-feira que a confiança dentro do tribunal 'desapareceu para sempre' após o vazamento.

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WASHINGTON- Milhares de defensora e defensores do direito ao aborto foram às ruass nos Estados Unidos neste sábado para expressar seu descontentamento com a iminente mudança na legislação sobre direitos reprodutivos no país, com a derrubada da decisão do caso Roe vs. Wade pela Suprema Corte.

As manifestações têm o propósito de iniciar o que a organização chama de “o verão da fúria”, e respondem ao rascunho de uma decisão que vazou no dia 2 de maio indicando que a maioria conservadora do mais alto tribunal americano está pronta para reverter a decisão histórica de 1973 que estabeleceu o direito constitucional federal de interromper uma gravidez.

Houve grandes protestos em Nova York, Washington, Los Angeles e Chicago, com alguns contra-protestos menores. Na capital, perto do Monumento a Washington, alguns manifestantes acenaram com cartazes com mensagens como 'Como eles ousam', 'Somos a maioria' e 'Revide, proteja a escolha'.

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A decisão final do tribunal, que pode dar aos estados o poder de proibir o aborto, está prevista para junho. Cerca de metade dos estados dos EUA pode proibir ou restringir severamente o aborto logo após uma decisão oficial.

Em Nova York, o clima era agitado, e milhares de defensoras e defensores do direito ao aborto cruzaram a ponte do Brooklyn em direção a Manhattan.

Elizabeth Holtzman, uma manifestante de 80 anos que foi deputada por Nova York no Congresso de 1973 a 1981, disse que o projeto de veredito vazado da Suprema Corte 'trata as mulheres como objetos, como seres humanos inferiores'.

Malcolm DeCesare, um enfermeiro de 34 anos de uma unidade de terapia intensiva que participou de uma manifestação perto da prefeitura de Los Angeles, disse que acabar com o direito ao aborto legal pode colocar vidas em risco, já que as mulheres buscam alternativas inseguras.

As ações foram em geral pacíficas, embora ao menos um contra-manifestante tenha sido escoltado por seguranças em Washington.

O Students for Life of America, um grupo de defesa antiaborto com sedes em campi universitários em todo o país, disse que estava realizando contra-protestos no sábado em nove cidades, incluindo Washington.

Em um protesto pelo direito ao aborto em Atlanta, mais de 400 pessoas se reuniram em um pequeno parque em frente ao Capitólio do estado, enquanto cerca de uma dúzia de contra-manifestantes se reuniram em uma calçada próxima.

Tribunais:   Estados americanos entrarão em batalhas judiciais caso Suprema Corte proíba direito ao aborto no país

Segurando uma placa que dizia: 'Pare o sacrifício infantil', Bria Marshall, 23 anos, recém-formada em saúde pública pela Universidade Estadual Kennesaw, reconheceu a inferioridade numérica do seu grupo.

— Jesus tinha apenas um pequeno grupo, mas sua mensagem era mais poderosa — disse Marshall, membro de uma igreja evangélica. — Espero plantar algumas sementes em seus corações para mudar as mentes.

A Planned Parenthood, a Women's March e outros grupos de direitos ao aborto organizaram mais de 400 protestos com o tema 'Tire suas proibições dos nossos corpos' no sábado, com a marcha de Washington terminando na Suprema Corte. O tribunal tem sido alvo da indignação progressista nas últimas duas semanas.

Ativistas disseram que este seria o primeiro de muitos protestos coordenados em torno da decisão da Suprema Corte.

— Para as mulheres deste país, este será um verão de fúria — disse Rachel Carmona, presidente da Marcha das Mulheres. Seremos insubordináveis até que este governo comece a trabalhar para nós, até que os ataques aos nossos corpos diminuam, até que o direito ao aborto seja transformado em lei.

Vários milhares de defensores do direito ao aborto se reuniram em um parque de Chicago, incluindo o deputado Sean Casten e sua filha de 15 anos, Audrey.

Casten, cujo distrito inclui os subúrbios do Oeste de Chicago, disse à Reuters que é 'horrível' que a Suprema Corte, dominada por uma supermaioria conservadora, considere eliminar o direito ao aborto e 'condene as mulheres a esse status inferior'.

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Os democratas, que atualmente ocupam a Casa Branca e as duas Câmaras do Congresso, esperam que a reação à decisão da Suprema Corte leve os candidatos de seu partido à vitória nas eleições parlamentares de novembro.

Mas os eleitores vão pesar o direito ao aborto contra outras questões, como os preços crescentes de alimentos e gás. Muitos estão céticos quanto à capacidade dos democratas de proteger o acesso ao aborto, depois do fracasso de esforços para aprovar uma lei que consagraria o direito na lei federal.

— Posso entender que as pessoas não gostem da ideia do aborto, mas ele ainda deve ser possível — disse Brita Van Rossum, uma paisagista de 62 anos que viajou da Filadélfia para Washington para protestar.

Na semana passada, manifestantes se reuniram do lado de fora das casas dos juízes da Suprema Corte Samuel Alito e Brett Kavanaugh, que votaram para derrubar a decisão de Roe vs. Wade, de acordo com a opinião vazada.

O juiz Clarence Thomas disse em uma conferência em Dallas na sexta-feira que a confiança dentro do tribunal 'desapareceu para sempre' após o vazamento.

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