EUA dizem a Lula que pretendem reconhecer eleito rapidamente, diz agência

Petista e auxiliares tiveram encontros com diplomatas nesta semana

Folha de São Paulo

2022-09-23 20:54:29

COMPARTILHE:

Diplomatas americanos informaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que os Estados Unidos planejam reconhecer rapidamente o vencedor das eleições no Brasil, afirmaram duas fontes à agência de notícias Reuters.

Segundo elas, a agilidade é uma tentativa de desencorajar questionamentos dos resultados que possam levar a uma crise institucional ou a caos no país. O Departamento de Estado americano não respondeu aos pedidos de comentário até a publicação deste texto.

Lula se reuniu na quarta-feira (21) com o chefe da embaixada dos EUA no Brasil, o encarregado de negócios Douglas Koneff. Segundo relatos, a questão do sistema eleitoral nacional foi um dos temas centrais do encontro realizado em um hotel na capital paulista.

Uma das fontes afirma que o petista, líder nas pesquisas, comentou que o reconhecimento do resultado seria um movimento importante para minimizar o ímpeto de Jair Bolsonaro (PL) de contestar a eleição. O presidente tem insistido, sem provas, que o sistema de votação eletrônico é passível de fraude.

Lula teria então ouvido do diplomata americano que a intenção de Washington é reconhecer o vencedor das eleições, independentemente de qual o resultado, assim que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fizer o anúncio oficial.

Mais

A mesma garantia foi ouvida pelo ex-chanceler Celso Amorim, assessor internacional de Lula, da parte de embaixadores da América Latina e do Caribe. O recado foi passado em conversas laterais e nas despedidas de uma reunião com embaixadores da região nesta quinta (22), oficialmente marcada para apresentar as ideias de Lula sobre política externa em um eventual novo governo.

Ainda sob os efeitos do ataque ao Capitólio do início do ano passado, a administração de Joe Biden tem enviado sinais de apoio ao trabalho do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) diante dos ataques de Bolsonaro às urnas eletrônicas.

O principal gesto de Washington se deu em julho, quando a embaixada divulgou uma nota afirmando que eleições brasileiras são um modelo para o mundo e que os americanos confiam na força das instituições do país.

O comunicado foi publicado pouco depois de Bolsonaro realizar uma apresentação no Palácio da Alvorada para chefes de missões diplomáticas em Brasília, na qual repetiu mentiras e teorias da conspiração para desacreditar o sistema eleitoral.

Mais

Meses antes, William Burns, o diretor da CIA —a agência de inteligência americana— tinha afirmado a auxiliares do presidente que as tentativas de questionar o processo eleitoral não eram bem vistas pelos EUA. O recado não foi bem recebido no Palácio do Planalto.

A nove dias das eleições, Lula voltou a aumentar a vantagem em relação a Bolsonaro e está na frente nas pesquisas de intenção de voto com diferenças que vão até 16 pontos percentuais. Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta, o petista continua tendo chance de liquidar a eleição no primeiro turno.

Enquanto isso, Bolsonaro voltou a levantar suspeitas sobre o sistema de processamento de votos depois de um período de relativa calmaria. No mais recente episódio, afirmou que, se não ganhar as eleições no primeiro turno, 'algo muito errado' estaria acontecendo no TSE —nenhuma pesquisa aponta o atual presidente como líder das pesquisas, nem no primeiro nem no segundo turno.

COMPARTILHE:

COMENTÁRIOS

PUBLIQUE UM COMENTÁRIO

Enviar