Richarlison: as 5 causas sociais que o camisa 9 apoia fora dos campos

Por trás do bom humor, Richarlison sustenta um histórico de luta por justiça social e ambiental e é um dos únicos jogadores da Seleção que se posiciona politicamente

Correio Brasiliense

2022-11-25 02:20:09

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A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo no Catar, nesta quinta-feira (24/11), revelou que Richarlison está pronto para fazer da camisa 9 a responsável por mais um título Mundial do Brasil – a última vez foi quando Ronaldo, o fenômeno, usava a nona amarelinha. O atleta foi o artilheiro da partida e dono dos dois gols do jogo, um deles de voleio.

O jogador já estava com o nome em alta nas redes sociais por mostrar um preparo diferente antes da copa: com carisma e humor, os vídeos em que aparece com caixas de som com funks e se veste como um cidadão do Catar repercutiram entre os torcedores brasileiros. Por trás do bom humor, Richarlison sustenta um histórico de luta por justiça social e ambiental.

Com cobranças nas redes sociais sobre casos de racismo, violência contra a mulher e degradação ambiental, Richarlison é um dos únicos jogadores da Seleção que se posiciona politicamente, por isso se destaca como um dos jogadores mais politizado do time de Tite.

 

Capixaba, o camisa 9 cresceu em comunidade de baixa renda, não se esquece do que passou e sabe como usar a fama que conquistou para chamar atenção para problemas que assolam o país. “Isso é parte do que eu sou, de onde eu vim, da minha origem. Não me considero um cara politizado no sentido que alguns tentam colocar, só me conscientizei do que eu posso fazer, até onde a minha voz pode chegar e quem eu quero ajudar”, declarou em uma entrevista ao Ecoa, do Uol, em 2020.

O posicionamento, no entanto, não é aceito por muitos. Richarlison conta que quando cobra justiça nas redes sociais, “vem um monte de gente xingar, um monte de gente para de me seguir e dá uma dor de cabeça danada”.

“Só que eu não ligo para isso. Enquanto puder fazer algo pra mudar meu país para melhor, eu vou estar aqui pra colocar a boca no mundo e gritar mesmo. Não vou parar por conta de meia dúzia de haters — e nem se fossem milhares”, deixa claro.

Veja abaixo quatro campos defendidos pelo camisa 9:

Em 2020, o assassinato de João Pedro, morto por estar em uma casa atingida por mais de 70 tiros por policiais que faziam uma ação no Complexo do Salgueiro (RJ), moveu o atleta a discutir racismo nas redes sociais e em entrevistas que deu na época.

'O racismo é um assunto que nós, que viemos da favela, estamos acostumados. Sempre fui tratado de forma diferente. Acompanhei o caso da morte do João Pedro, no qual a polícia deu mais de setenta tiros em sua casa. Poderia ser comigo. Lá atrás, convivi com tiroteios e fui até confundido com traficante”, declarou em entrevista à revista Placar.

Na mesma época, a morte de George Floyd, asfixiado por um policial durante uma abordagem violenta, também esteve no discurso de Richarlison. “Também acompanhei o caso dos Estados Unidos. As pessoas que estão nas ruas estão no direito delas de protestar e pedir justiça. Se estivesse lá, faria o mesmo.', declarou sobre os protestos que tomaram as ruas dos Estados Unidos após o assassinato de Floyd. Em uma partida entre Everton e Leicester, Richarlison se ajoelhou em apoio aos protestos que ocorriam nos EUA.

Logo que a crise da covid-19 se espalhou pelo Brasil, Richarlison se tornou embaixador de um programa da Universidade de São Paulo (USP) que reunia esforços de pesquisadores para pesquisas e ações da instituição para combater o novo coronavírus. Com o USP Vida, o Pombo convocava outros atletas, pessoas jurídicas e físicas a fazerem doações para fomentar o programa.

“Acho que é hora de valorizarmos e incentivarmos nossos pesquisadores e cientistas e todos que estão lutando nessa batalha. Por isso, tivemos a ideia da campanha e de contribuir com essas pessoas”, disse na época ao jornal da USP. O jogador chegou a doar uma chuteira usada para um leilão da universidade a fim de angariar recursos. O projeto arrecadou, segundo Richarlison, quase R$ 20 milhões para pesquisa e gastos em verbas e materiais.

Em janeiro de 2021, quando a capital do Amazonas viveu a maior crise de saúde pública da história do estado e ficou sem oxigênio para tratar infectados com covid-19, o jogador utilizou o Twitter, onde tem 926 mil seguidores, para aderir à campanha Oxigênio para Manaus.

Oxigênio para Manaus!!

Em 2019, Richarlison viajou ao Pantanal para conhecer o bioma. O contato com o local levou o atleta a se posicionar nas redes no ano seguinte, em 2020, e pedir medidas eficazes das autoridades para combater a série de incêndio que queimou 30% do território do local. A cobrança também foi publicada por ele em uma coluna que ele tinha no site The Players Tribune.

'Quero falar de algo muito importante para mim e que deveria importar para você também. Estou muito triste e preocupado com o que está acontecendo no Pantanal', escreve. '(...) Olha, não sou político. Não consigo interromper as queimadas sozinho. Mas como jogador da Seleção Brasileira e do Everton, posso ao menos mostrar às pessoas o que está acontecendo. Por isso, postei algumas fotos nas minhas redes sociais em demonstração de apoio ao Pantanal. Não queria apenas me solidarizar com o problema. Era para chamar a atenção das autoridades', escreveu na coluna.

Infelizmente o povo do Amapá não vai poder ver meu gol hoje pq não tem luz há DUAS SEMANAS. Estão vivendo dias mt difíceis e espero que resolvam isso logo. Queria dedicar o gol e a vitória de hoje a todos os amapaenses

No mesmo ano, o atleta aproveitou um jogo entre Brasil e Uruguai, na fase das eliminatórias para a Copa do Mundo 2022, para protestar contra o apagão que ocorria no Amapá há 10 dias. 'Infelizmente o povo do Amapá não vai poder ver meu gol hoje porque não tem luz há DUAS SEMANAS. Estão vivendo dias muito difíceis e espero que resolvam isso logo. Queria dedicar o gol e a vitória de hoje a todos os amapaenses', escreveu nas redes sociais.

Em 2022, com o histórico de defesa ambiental, o capixaba foi convidado pela Nike e pela ONG Onçafari a retornar ao Pantanal e conhecer o trabalho da instituição, que alia ecoturismo e pesquisa científica para a preservação da onça-pintada. Na viagem, Richarlison avistou uma onça e decidiu “adotar” o animal, a quem chamou de Acerola.

Richarlison também não tem medo de voltar atrás em apoios dados publicamente, se tiver um bom motivo para isso. Durante o BBB20, reality da TV Globo, o atacante declarou apoio a Felipe Prior, jogador que protagonizou a edição ao se posicionar contra Manu Gavassi.

No entanto, quando um caso de agressão contra uma mulher, feito por Prior, surgiu na imprensa, o atleta retirou o apoio. 'Fala, pessoal! Eu não sou juiz, mas também não passo pano pra ninguém. Violência contra a mulher é abominável, não importa quem cometeu e nem porquê, não existe motivo no mundo pra que isso aconteça. Aprendi isso desde cedo', escreveu.

'Se isso que foi dito sobre o Prior na matéria se confirmar, na humildade, peço desculpas e retiro o apoio que dei a ele nessa última semana no jogo, ainda que não soubesse dessas acusações, igual a todos vocês. Espero que tudo se esclareça logo! Fiquem bem! É noix', acrescentou.

Em 2017, Richarlison surpreendeu uma internauta recifense que iniciou uma campanha para arrecadar recursos financeiros para uma cirurgia que o pai, com doença de Parkinson, precisava fazer – o custo do procedimento era de R$ 400 mil. O atleta procurou Laryssa Nogueira para oferecer uma camisa autografada do clube inglês Watford, time em que ele jogava.

pra quem tá conhecendo richarlisson agora, esse aqui é richarlisson: se ofereceu a me ajudar na campanha que fiz pra conseguir uma cirurgia para o meu pai pic.twitter.com/iCvbAevs61

“Para quem está conhecendo Richarlison agora, esse aqui é Richarlisson: se ofereceu a me ajudar na campanha que fiz para conseguir uma cirurgia para o meu pai', disse a jovem no Twitter.

Laryssa contou que o camisa 9 é diferenciado porque se ofereceu para ajudar a campanha, sem a recifense pedir. Depois da doação, a menina conseguiu fazer sorteio de outros itens doados e arrecadou mais da metade do valor inicial. A cirurgia foi realizada e o pai, que antes não andava sozinho, trabalha e tem uma vida independente.

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