O governo da Alemanha descartou oficialmente boicotar a Copa do Mundo de 2026, afirmando que discordâncias com as políticas de Donald Trump devem ser tratadas na arena política, não no esporte. O torneio será realizado em junho nos Estados Unidos, Canadá e México.

A decisão marca uma mudança de postura, após Berlim ter cogitado não participar do evento organizado pela Fifa. Em entrevista a jornalistas, o porta-voz Steffen Meyer defendeu a separação entre política e esporte.
"Os conflitos políticos devem ser travados no campo político e o esporte deve permanecer esporte".
A ministra dos Esportes, Christiane Schenderlein, também se manifestou, em declaração ao jornal Süddeutsche Zeitung. Segundo ela, Berlim "não apoia" um boicote porque "o esporte não deve ser usado para fins políticos".
O recuo ocorre após um período de tensões entre Europa e Washington. Em janeiro, quando os desentendimentos sobre a intenção de Trump de anexar a Groenlândia e impor tarifas adicionais a países europeus contrários à medida chegaram ao auge, a própria Schenderlein havia deixado em aberto a possibilidade de boicote.
A seleção alemã, tetracampeã mundial, participa de todas as edições do torneio desde 1954. A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho, com partidas distribuídas entre Estados Unidos, Canadá e México.
Os pedidos iniciais de boicote surgiram por causa das tensões relacionadas à Groenlândia. Depois, políticas anti-imigração dos EUA e incidentes em Minneapolis, onde 2 manifestantes foram mortos por agentes federais da imigração, intensificaram os apelos por não participar do torneio.
No fim de janeiro, o ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, reforçou o apelo feito por um advogado anticorrupção suíço para que as pessoas "evitassem os Estados Unidos".
Segundo a revista alemã Spiegel, eurodeputados de esquerda enviaram uma carta à Uefa solicitando a análise de possíveis sanções, incluindo um boicote, em resposta às "medidas políticas" e à "retórica" de Trump.
O atual presidente da Fifa, Gianni Infantino, posicionou-se contra os boicotes. Para ele, tais ações "simplesmente contribuem para mais ódio".
