Apesar de a concessionária informar, na noite de domingo, que o serviço havia sido normalizado, moradores e comerciantes de Copacabana e do Leme relataram na manhã desta segunda-feira falta de luz ou abastecimento irregular. Em alguns endereços, o apagão persiste desde a tarde de sábado, chegando ao terceiro dia.
As queixas se concentram na Avenida Prado Junior, em trechos da Avenida Nossa Senhora de Copacabana e da Rua Belford Roxo, além da comunidade Chapéu-Mangueira. Em vários pontos, geradores foram instalados para tentar suprir a demanda.
Nas primeiras horas desta segunda, técnicos informaram que os geradores foram colocados pela própria concessionária para atender parte de Copacabana até o Leme. Mesmo assim, moradores dizem que o serviço segue instável.
Na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, a drogaria Boa Saúde acumulou mais de 24 horas sem energia. O dono, Luiz Roberto, relata perda de mercadorias, danos em equipamentos e a necessidade de passar a madrugada dentro da loja, já que os portões automáticos não funcionaram.

— Além dos refrigeradores de sorvete, que derreteram e me fizeram perder a mercadoria, os geradores só chegaram ontem à noite. Como os portões são automáticos, não consegui fechar a loja. Fiquei basicamente 24 horas aqui, com medo de invasão. Trabalho aqui há anos e isso nunca aconteceu assim — relatou.
Segundo ele, sistemas internos, como os de pagamento, também foram afetados, e os prejuízos ainda não foram calculados.
No prédio ao lado, a noite foi descrita como de desespero. Muitos moradores são idosos e alguns dependem diretamente da energia para cuidados especiais.
Em frente, o bar e restaurante Dantes precisou contratar um gerador próprio para continuar aberto. Funcionários afirmaram que o custo foi de R$ 5 mil, pago pelo estabelecimento.
A cena se repete em outras áreas do bairro, sobretudo entre comerciantes que precisam de equipamentos ligados o tempo todo e temem perdas maiores em plena alta temporada.

Na Rua Belford Roxo, moradores dizem que toda a via está sem luz desde sábado. No número 161, uma turista de Cuiabá, hospedada com a família e filhos pequenos, tem recorrido a lojas de ruas próximas para carregar celulares.
— Desde sábado estamos pedindo favor para carregar telefone em outras ruas. Não somos daqui. Sempre venho ao Rio e nunca passei por isso. Vou embora na quarta-feira e fico com medo de continuar sem luz até lá — disse a mulher, que preferiu não se identificar.
Donos de restaurantes da mesma rua também reclamam da falta de energia prolongada. Cada dia sem funcionar representa impacto significativo, ainda mais no auge das férias e do turismo.
Na comunidade Chapéu-Mangueira, no Leme, moradores relataram ausência de energia ou fornecimento irregular. A área está entre as que mais concentraram reclamações desde o apagão.
No domingo à noite, houve panelaço nas janelas pedindo a retomada do serviço. Lojas e quiosques da orla do Leme permaneceram fechados, e um comerciante estimou prejuízo entre R$ 15 mil e R$ 20 mil.
Em nota nesta segunda, a concessionária afirmou que o fornecimento foi restabelecido no Leme e em Copacabana após furtos de cabos que provocaram "danos severos" à rede. Disse ainda que as equipes seguem em trabalho considerado complexo de recomposição e reforço da infraestrutura.
Segundo a empresa, a ação criminosa compromete o sistema e exige intervenções técnicas detalhadas para garantir segurança e confiabilidade. O furto de cabos gera grandes prejuízos e demanda tempo para a recomposição total da rede.
Com relação à Chapéu-Mangueira, a empresa afirmou que as equipes estão atuando na comunidade e realizando o fornecimento de energia. "No entanto, a região possui muitas ligações clandestinas. Quando o serviço é restabelecido, essas ligações irregulares acabam sobrecarregando a rede, o que impacta o fornecimento para os clientes regulares da Light e dificulta a normalização completa. Por isso, parte das reclamações pode estar relacionada a essas ligações irregulares", destacou.
Apesar da nota, moradores e comerciantes afirmam que o problema não foi totalmente resolvido. Parte da região segue com apagões intermitentes, uso de geradores e prejuízos desde o fim de semana.
No Leme, há relatos de que a luz "voltou e não voltou", com casas em que alguns cômodos têm energia e outros não.
— Tem farmácia ainda sem luz, com meia porta aberta. aqui em casa, vomtou em alguns cômodos. Outros não. Pior. Tomada da geladeira ainda sem energia — disse uma moradora.
Em vários trechos, equipes continuam instalando novos geradores para tentar estabilizar o fornecimento.

