Ataque dos EUA à Venezuela agita o petróleo e turbina petroleiras
Notícias
📅 05/01/2026

Ataque dos EUA à Venezuela agita o petróleo e turbina petroleiras

Chevron salta até 10% no pré-mercado após Trump dizer que os EUA vão "administrar" a Venezuela; Brent e WTI sobem e ouro avança.

Carregando anúncio...
Compartilhar:
Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

As ações de grandes petroleiras dos Estados Unidos dispararam nas negociações prévias em Nova York nesta segunda-feira, após Donald Trump afirmar que os EUA planejam "administrar" a Venezuela depois da derrubada de Nicolás Maduro no fim de semana.

A Chevron, única gigante americana ainda operando no país sob licença especial, chegou a subir até 10%, enquanto a ConocoPhillips avançava 8,7% e a Exxon Mobil ganhava 3,4% por volta das 4h10 (horário de Nova York).

Os preços do petróleo, que haviam recuado no início da manhã, se estabilizaram e passaram a subir. Às 9h30 (horário de Brasília), o Brent era negociado a US$ 61,03 (+0,46%) e o WTI a US$ 57,66 (+0,59%).

Em meio à escalada de tensões, investidores buscaram proteção: o ouro subiu mais de 2% e a prata avançou 4%, enquanto o dólar se fortalecia em relação a outras moedas.

Mesmo com o choque geopolítico, as bolsas demonstraram pouca preocupação com uma ruptura imediata da tendência de alta que levou os mercados globais ao melhor ganho anual em oito anos.

— O impacto econômico do que aconteceu na Venezuela é pequeno demais para pesar sobre os mercados de ações — disse Christopher Dembik, consultor sênior de investimentos da Pictet Asset Management.

— Isso também vale para o petróleo: as pessoas tiveram tempo de analisar os dados e, no cenário mais otimista, serão necessários dois ou três anos para haver um impacto significativo.

O cenário ainda é incerto. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, pediu que os EUA trabalhem com o país, adotando tom mais conciliador após a indignação inicial com a captura de Maduro.

Imagem da notícia
📸 2

Trump declarou que os EUA precisam de "acesso total" e que empresas americanas investirão bilhões de dólares para reconstruir a infraestrutura energética venezuelana.

A Chevron, que permaneceu na Venezuela após as nacionalizações do início dos anos 2000, é vista como a mais bem posicionada para se beneficiar de um maior controle americano sobre as maiores reservas de petróleo do mundo.

Imagem da notícia
📸 2

A ConocoPhillips tem a receber mais de US$ 8 bilhões da Venezuela, e a Exxon, cerca de US$ 1 bilhão, valores definidos em arbitragens internacionais referentes à expropriação de ativos no país.

No passado, a Venezuela chegou a ser o maior fornecedor de petróleo dos EUA, antes das nacionalizações e expropriações ocorridas no governo Hugo Chávez (1999-2013).

Não está claro até que ponto grandes companhias estariam dispostas a investir somas relevantes em um país sob administração temporária apoiada pelos EUA, sem regras legais e fiscais consolidadas.

A ConocoPhillips afirmou ser prematuro especular sobre futuras atividades; em 2024, recebeu licenças do governo americano que a colocam em posição melhor para recuperar perdas.

O diretor-executivo da Exxon, Darren Woods, disse em novembro que avaliaria oportunidades na Venezuela com cautela, lembrando das expropriações passadas.

No caso da Chevron, que possui licença para perfurar e exportar do país sancionado, as operações seguem; a empresa tem enviado petróleo mesmo após o governo Trump impor bloqueio marítimo parcial.

Analistas estimam que levará anos para reparar a infraestrutura crítica e normalizar os fluxos de exportação. Hoje, a Venezuela responde por menos de 1% da oferta global, apesar de deter reservas gigantes.

Em pronunciamento, Trump afirmou que os EUA vão administrar o país diretamente, dizendo que não podem correr o risco de deixar o país sul-americano ''ser dirigido por grupo que não mereça''.

Segundo ele, os EUA vão garantir uma gestão "justa e legal do ponto de vista jurídico" e só entregarão o poder após uma transição segura.

Trump também declarou que controlará a produção de petróleo venezuelana e que uma petroleira americana ajustará a infraestrutura do setor no país.

24visualizações
Compartilhar:
Carregando anúncio...

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 13:16

Notícias Relacionadas

Nenhuma notícia encontrada.