A composição da Câmara dos Deputados definida pelas eleições de 2026 terá uma presença maior das principais forças de esquerda e uma redução do espaço ocupado por partidos do Centrão em comparação com 2022.
O Partido Liberal, principal legenda da direita bolsonarista, ampliou sua bancada de 99 para 121 deputados. Com 22,79% dos votos nacionais para deputado federal, o PL permanece como a maior força da Câmara.
Na esquerda, o principal crescimento foi registrado pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. O bloco passou de 81 deputados eleitos em 2022 para 88 em 2026, um ganho de sete cadeiras.

A federação liderada pelo PT recebeu 14,81% dos votos nacionais. A comparação considera o desempenho conjunto das três legendas, que disputam as eleições sob uma federação partidária.
A Federação PSOL-Rede também avançou, passando de 14 para 15 cadeiras. Sua participação na votação nacional subiu de cerca de 4,24% em 2022 para 4,91% em 2026.
Somadas, a Federação Brasil da Esperança e a Federação PSOL-Rede passaram de 95 para 103 deputados. O resultado representa um aumento de oito cadeiras para os dois principais blocos da esquerda.
A maior perda foi da Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas. As duas siglas haviam conquistado juntas 106 cadeiras em 2022, mas terão 87 deputados na nova legislatura.
A redução de 19 cadeiras também foi acompanhada por uma queda na votação. União Brasil e PP somaram cerca de 17,29% dos votos em 2022, enquanto a federação recebeu 13,69% em 2026.
O MDB encolheu de 42 para 36 deputados. O Republicanos ficou praticamente estável, passando de 40 para 41 cadeiras, enquanto o PSD avançou de 42 para 43 representantes.
Entre os partidos de centro, o Podemos apresentou uma das maiores altas. A legenda passou de 12 para 27 cadeiras após receber 5,28% dos votos nacionais.
O PSB também teve um pequeno crescimento, saindo de 14 para 15 deputados. Em sentido contrário, o PDT caiu de 17 para apenas seis cadeiras.
O Novo ampliou sua bancada de três para dez deputados, reforçando a fragmentação entre as legendas representadas na Câmara.
A nova configuração combina uma bancada ainda maior do PL com o avanço das federações de esquerda. Ao mesmo tempo, a queda da Federação União Progressista diminui o peso parlamentar de uma das principais forças do Centrão.
O resultado das eleições aponta, portanto, para uma Câmara mais fragmentada, marcada pelo crescimento do PL e da esquerda e pela perda expressiva de cadeiras do bloco formado por União Brasil e PP.
