O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) no Brasil, medido pela Ipsos, recuou 2,5 pontos em fevereiro e fechou em 52,7 (em uma escala até 100). O país ficou na 11ª posição entre 30 mercados. A média global permaneceu em 50 pontos, exatamente a linha que separa otimismo (acima de 50) e pessimismo.

Os componentes do indicador mostram um descompasso entre presente e futuro. A piora foi mais intensa no "agora": o subíndice de situação atual caiu 5 pontos; o de mercado de trabalho, 4,1 pontos; e o de investimento, 3,2 pontos.
No geral, o resultado indica que o consumidor sente pressões de curto prazo e adota mais prudência nas compras e na busca por segurança no emprego, avalia Rafael Lindemeyer, líder do Cluster de Experiência da Ipsos no Brasil.
Nos Estados Unidos, o ICC ficou estável em 53,8 pontos entre janeiro e fevereiro. A Argentina teve forte recuo, de 3,9 pontos, para 44,7, acentuando o pessimismo e ficando bem abaixo da média global.
Segundo Lindemeyer, a queda no Brasil devolve parte do avanço observado em janeiro e leva o índice de volta aos patamares do fim de 2025. Em contrapartida, as expectativas futuras subiram de 64,1 para 66,7 pontos, sinal de que o brasileiro não projeta deterioração contínua nos próximos meses e mantém resiliência que ajuda a ancorar o ICC geral.
Na comparação com fevereiro de 2025, o ICC brasileiro segue em nível superior. A perda atual se encaixa como acomodação pontual de curto prazo, não como reversão da trajetória de recuperação dos últimos 12 meses.
No panorama internacional, o índice global ficou praticamente estável em fevereiro, com alta de 0,1 ponto. O movimento interrompe a sequência de altas mais consistentes e consolida o patamar na linha de neutralidade.
Os quatro subíndices globais apresentaram variações marginais: situação atual em 40,8; investimento, 43,2; expectativas, 58,2; e mercado de trabalho, 58,8.
Para a Ipsos, fevereiro desenha um quadro de estabilização global com ajustes relevantes em mercados específicos. No Brasil, a queda do ICC ocorre em um contexto em que o presente perde força e cobra a conta do curto prazo, enquanto as expectativas seguem resilientes.
