Mais de 20 anos após o polêmico lançamento de A Paixão de Cristo, a sequência A Ressurreição de Cristo mantém a tradição de controvérsia. Antes mesmo de concluir as gravações, a produção já enfrenta a ira de católicos de extrema-direita na Polônia, insatisfeitos com a escolha da conterrânea Kasia Smutniak para interpretar a Virgem Maria.
De acordo com a imprensa local, integrantes desse grupo enviaram uma carta à produtora Icon exigindo a demissão da atriz. A revolta é motivada pelo apoio de Kasia ao movimento feminista Strajk Kobiet, que defende a legalização do aborto no país. Os opositores estão ligados ao partido Lei e Justiça (PiS), de perfil conservador e antiaborto.
Por enquanto, Mel Gibson e Kasia não se pronunciaram. Procurado por veículo internacional, o assessor do cineasta afirmou não ter conhecimento de qualquer mobilização contra o filme.
Embora polonesa, Kasia Smutniak vive na Itália e participa com frequência de produções locais. Além de atriz, ela dirigiu em 2023 o documentário Mur, sobre o muro erguido pelo governo polonês na fronteira leste para conter a entrada de imigrantes. Na tentativa de afastá-la do projeto, opositores organizam uma campanha online que apela a nomes da direita americana, como a comentarista Candace Owens, sem resultados relevantes até agora.
Os bastidores da franquia de temática cristã seguem conturbados. Mel Gibson foi acusado de antissemitismo em diversas ocasiões desde A Paixão de Cristo e é citado como um dos embaixadores apontados por Donald Trump para moldar uma Hollywood alinhada ao republicano. O antigo intérprete de Jesus, Jim Caviezel, é católico e contrário à legalização do aborto, enquanto Monica Bellucci, que viveu Maria Madalena, defende a escolha da mulher. Para a continuação, o elenco principal foi renovado: Jesus será vivido por Jaakko Ohtonen e Maria Madalena por Mariela Garriga. A Ressurreição de Cristo tem estreia prevista para março de 2027.

