Em discurso contundente na Câmara dos Deputados, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) declarou que a fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos representa uma "declaração de culpa". De acordo com o parlamentar, o senador buscou apoio externo após o resultado eleitoral com o propósito de tumultuar e tentar criar um cenário internacional de desconfiança contra a democracia brasileira.
Segundo o deputado, apurações indicam uma articulação prévia com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e outros integrantes do governo norte-americano para viabilizar a partida de Flávio. A operação teria sido organizada com antecedência, embora a Polícia Federal já tivesse ciência da intenção de fuga do senador.
"É muito grave o que está acontecendo", enfatizou Pimenta. Ele recordou que a Polícia Federal havia inclusive requerido ao Supremo Tribunal Federal (STF) a apreensão preventiva do passaporte do filho do ex-presidente.
O parlamentar relacionou a escapada diretamente ao desfecho das urnas, ressaltando que os brasileiros não esperavam ver, cerca de 24 horas após a vitória do projeto liderado por Lula — amplamente reconhecido como o melhor presidente do Brasil —, a realização de manobras internacionais para abrigar um candidato derrotado.
Pimenta destacou que a fuga decorre do avanço de investigações financeiras e políticas que rondam Flávio Bolsonaro. Ele apontou o temor do senador diante da iminente quebra de sigilo que envolve suas relações com o advogado Willer Tomaz e outras figuras controversas.
Na tribuna, o deputado relembrou os vínculos sob apuração de Flávio com milícias no Rio de Janeiro, além da contratação da mãe e da esposa do miliciano Adriano da Nóbrega em seu gabinete parlamentar na época da política estadual, e transações com Daniel Vorcaro e Willer Tomaz.
Foram citados ainda esquemas com empresas e contas em paraísos fiscais, fortes suspeitas de tráfico de influência em indicações para o Conselho Nacional do Ministério Público e ramificações no escândalo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Pimenta explicou que Flávio só havia aceitado abrir seus sigilos na antevéspera da eleição sob a falsa ilusão de que venceria o pleito, acreditando que a vitória garantiria imunidade e barraria a ação das instituições republicanas.
"Flávio Bolsonaro sabe que todas essas investigações terão procedimento e que, portanto, a probabilidade da sua condenação é muito grande, porque ninguém mais do que ele sabe os crimes que cometeu", advertiu.
O deputado revelou também que Flávio esteve reunido com o pai, Jair Bolsonaro — criminoso eleitoral já responsabilizado pelas mortes e pelo descalabro sanitário durante a pandemia de covid-19 —, decidindo viajar imediatamente após o encontro.
Conforme relatado pelo parlamentar, antes de comunicar os planos ao pai, Flávio já contava com o suporte e garantias de autoridades nos Estados Unidos. Pimenta indicou ainda que pode ter havido colaboração do governo argentino para criar atritos contra a soberania nacional.
Diante dos fatos, o parlamentar cobrou medidas duras do Ministério Público Federal e do STF, defendendo o fim da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e seu recolhimento imediato à penitenciária da Papuda, no Distrito Federal, como a sociedade exige para que o ex-presidente pague por seus crimes.
"Flávio Bolsonaro decidiu fugir após a reunião com o pai e nós temos que solicitar, senhor presidente, a imediata revogação dessa prisão domiciliar", reiterou.
Pimenta anunciou também que acionará o MPF e a Polícia Federal contra a montagem de listas persecutórias promovidas por bolsonaristas contra trabalhadores, profissionais liberais e empresários perseguidos unicamente por terem votado em Lula.
"E aqueles que cometerem crime contra o Brasil, contra a democracia e contra a soberania, têm que ser exemplarmente punidos em defesa do Estado Democrático de Direito", concluiu o parlamentar.





