O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, usou as redes sociais para rebater acusações do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, negar qualquer ligação com o narcotráfico e sair em defesa do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Em um longo pronunciamento, Petro afirmou que não há registros judiciais na Colômbia que vinculem Maduro ou sua esposa, Cilia Flores, ao tráfico de drogas e classificou as acusações como parte de uma estratégia política da oposição venezuelana.
"Não sei se Maduro é bom ou mau, ou mesmo se é um narcotraficante; nos registros do sistema judiciário colombiano, após meio século lidando com os maiores cartéis de cocaína, os nomes de Nicolás Maduro e Cilia Flores não constam", declarou Petro. Segundo ele, as denúncias existentes partem de "generais da oposição venezuelana, nada mais, tentando minar o voto popular".
O presidente colombiano ressaltou que não interfere no funcionamento do Judiciário de seu país. "O poder judicial na Colômbia não me pertence; é independente de mim e é amplamente controlado pela minha oposição", afirmou. Petro acrescentou que os dados oficiais são claros sobre quem esteve envolvido com o narcotráfico: "Se você quiser saber sobre a máfia e o tráfico de cocaína, basta consultar os registros judiciais colombianos".
Ao reagir diretamente às falas de Trump, Petro disse ser alvo de difamação. "Rejeito veementemente as declarações de ignorância de Trump; meu nome não consta em nenhum registro judicial de tráfico de drogas, passado ou presente, há 50 anos. Pare de me difamar, Sr. Trump", escreveu. Em tom firme, completou: "Não é assim que se ameaça um presidente latino-americano que ascendeu ao poder por meio da luta armada e, posteriormente, pela luta do povo colombiano pela paz".
Petro também recordou sua trajetória política e militante. "Pertenci à organização clandestina que lutou pela democracia na Colômbia contra a ditadura civil do 'Estado de Sítio'", disse, ao mencionar sua atuação no M-19. Segundo ele, o grupo "fez a primeira paz na América Latina contemporânea" e participou de ações simbólicas em defesa da democracia, como a recuperação da espada de Simón Bolívar em 1974.
O presidente criticou o que chamou de desconhecimento histórico por parte de Trump. "Ele não lê a história da Colômbia, e é por isso que fracassa quando nos critica", afirmou. Petro disse ainda que colaborou com investigações sobre narcotráfico ao longo de sua carreira política e destacou o impacto da violência no país: "Perdemos dezenas de milhares de camaradas na luta armada e popular pela democracia, e não pedimos invasões; resistimos e vencemos pela paz".
No texto, Petro também comentou sua participação em um protesto em Nova York, em frente à sede da ONU, contra a ofensiva israelense em Gaza. "E foi por isso que me atrevi a falar em uma rua de Nova York, em frente ao prédio das Nações Unidas, sob a proteção da lei americana", afirmou. Ele disse ter sido punido por suas posições: "Por causa do que eu disse, você teve a audácia de punir minha opinião, minhas palavras contra o genocídio palestino".
Em tom pessoal, o presidente colombiano negou enriquecimento ilícito. "Eu não tenho carro, nem propriedades no exterior; ainda pago minha hipoteca com meu salário. É injusto, e eu luto contra a injustiça", escreveu. Também ressaltou manter boas relações com cidadãos americanos: "Tenho muitos amigos nos EUA que me param na rua e me abraçam".
Ao final, Petro fez um apelo por respeito à América Latina e à sua história. "Aprendi a não ser escravo e rejeito seus pronunciamentos que nos subjugam unilateralmente ao seu domínio", declarou. E concluiu: "Não pensem que a América Latina é apenas um ninho de criminosos envenenando seu povo. Respeitem-nos e leiam nossa história. Não vejam traficantes de drogas onde só existem verdadeiros guerreiros da Democracia e da Liberdade".

