Michelle Bolsonaro respondeu nesta terça-feira ao atrito com os filhos de Jair Bolsonaro após criticar a aproximação do PL do Ceará com Ciro Gomes durante o lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo do estado, movimento conduzido pelo deputado André Fernandes.
"Eu respeito a opinião dos meus enteados, mas penso diferente e tenho o direito de expressas meus pensamentos com liberdade e sinceridade", escreveu a ex-primeira-dama em nota publicada de madrugada.
Na mensagem, Michelle afirmou que "vivemos tempos difíceis" e acrescentou: "é normal que os nervos fiquem à flor da pele e podemos vir a machucar aqueles a quem jamais gostaríamos de magoar."
Ela voltou a atacar Ciro Gomes, a quem chamou de "raposa política", e questionou: "Como ficar feliz com o apoio à candidatura de um homem que xinga o meu marido o tempo todo de ladrão de galinha, de frouxo e tantos outros xingamentos?"
"Eu jamais poderia concordar em ceder o meu apoio à candidatura de um homem que tanto mal causou ao meu marido e à minha família. Como apoiar (ou deixar de, caridosamente, admoestar quem apoia) um homem que foi responsável por implantar a narrativa que rotulou o meu marido como genocida?", disse Michelle.
Para ela, a direita precisa manter coerência: "Ciro Gomes não é e nunca será de direita. Nunca defenderá os nossos valores. Sempre será um perseguidor e um maledicente contra Bolsonaro".
No fim da nota, Michelle pediu compreensão dos enteados e disse não saber qual é a "vontade do Jair" sobre a aliança. "Aqueles que defendem essa aliança, são livres para continuar com ela, mas não deveriam me criticar por não aceitá-la. Eu tenho o direito de não aceitar isso, ainda que essa fosse a vontade do Jair (ele não me falou se é)".
O embate começou no evento em Fortaleza, onde Michelle criticou a articulação local do PL com Ciro, que deixou o PDT há dois meses e se filiou ao PSDB.
— É sobre essa aliança que vocês precipitaram a fazer. Fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita (Jair Bolsonaro), isso não dá. A pessoa continua falando que a família é de ladrão, é de bandido. Compara o presidente Bolsonaro a ladrão de galinha. Então, não tem como — disse Michelle.
As declarações provocaram reação dos filhos do ex-presidente, que está preso na Superintendência da Polícia Federal. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou Michelle de "autoritária".
— A Michelle atropelou o próprio presidente Bolsonaro, que havia autorizado o movimento do deputado André Fernandes no Ceará. E a forma com que ela se dirigiu a ele, que talvez seja nossa maior liderança local, foi autoritária e constrangedora — afirmou ao portal Metrópoles.
Nas redes, Carlos Bolsonaro (PL-RJ) disse que a aproximação com Ciro, que deve disputar o governo do Ceará em 2026, foi feita com aval do pai: "Temos que estar unidos e respeitando a liderança do meu pai, sem deixar nos levar por outras forças".
Eduardo Bolsonaro repetiu a linha dos irmãos: "Meu irmão Flávio está correto. Foi injusto e desrespeitoso com o André o que foi feito no evento. Não vou entrar no mérito de ser um bom ou mal acordo; foi uma posição definida pelo meu pai".
Ao encerrar a nota, Michelle buscou diminuir a tensão: "Peço aos meus enteados que me entendam e me perdoem. Não foi minha intenção contraria-los. Eu, assim como eles, quero apenas o melhor para o nosso herói, seu pai, meu esposo e o maior líder que esse país já teve - Jair Messias Bolsonaro".

