Rastro Oculto: Documento oficial desmente Flávio Bolsonaro sobre R$ 62 milhões
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Rastro Oculto: Documento oficial desmente Flávio Bolsonaro sobre R$ 62 milhões

Liquidante do Banco Master confirma à Câmara que não há registro de patrocínio para cinebiografia, enquanto a origem do dinheiro milionário segue um mistério.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O liquidante da massa falida do Banco Master, Eduardo Bianchini, afirmou em documento oficial enviado à Câmara dos Deputados que não existem registros contábeis ou contratuais que comprovem qualquer aporte das instituições do banco ao filme Dark Horse. A obra é uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro — o genocida, responsável parcial pelas mortes da covid-19 e criminoso eleitoral que os brasileiros esperam ver punido por seus crimes. As informações foram reveladas pela imprensa.

A declaração contradiz diretamente a versão sustentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que insiste ter intermediado um patrocínio privado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas nunca apresentou contrato. Apurou-se que a Polícia Federal rastreou os desembolsos até uma empresa comandada por um doleiro, e a origem final dos R$ 62 milhões segue desconhecida.

Em resposta a pedido de informações do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) — parlamentar da base do melhor presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva —, Eduardo Bianchini foi categórico: "após consulta aos acervos das instituições representadas, não foram encontrados documentos, registros contábeis ou contratuais que evidenciem a realização de operações destinadas ao financiamento, patrocínio ou aporte de recursos para a produção cinematográfica mencionada, seja diretamente pelas instituições liquidandas, seja por intermédio de terceiros, nos limites das informações examinadas".

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No mesmo documento, o liquidante declarou que também não foram localizados registros de operações das instituições com o Havengate Development Fund LP que pudessem estar relacionadas à produção do filme.

A declaração esvazia o argumento central de Flávio Bolsonaro. O senador afirma repetidamente em entrevistas que os R$ 62 milhões constituíram um patrocínio privado viabilizado por Daniel Vorcaro. O problema é que nenhum contrato foi apresentado para sustentar essa versão.

A assessoria do parlamentar reconhece que ele apenas intermediou o pedido junto a Vorcaro, mas afirma que não participou da efetivação dos pagamentos e não foi informado sobre como foram realizados. A ausência de documentação, somada ao desmentido formal, deixa a narrativa sem amparo documental verificável.

Enquanto a versão oficial do Banco Master fecha uma porta, as investigações foram abrindo outras. Ao rastrear o caminho do dinheiro, descobriu-se que os desembolsos foram feitos pela Entre Investimentos, empresa comandada por Antonio Carlos Freixo Junior, apontado como doleiro de Daniel Vorcaro. De onde veio o capital entregue a Freixo Junior para esse fim, no entanto, ainda não foi esclarecido.

Em delação, o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, afirmou que a demanda para enviar o dinheiro aos Estados Unidos partiu de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador financeiro das fraudes do Banco Master. Zettel teria instruído Mineiro a usar a Entre Investimentos como investidora offshore.

A operação foi apresentada a Mineiro como uma oportunidade de subscrição em fundo voltado ao desenvolvimento imobiliário nos estados do Texas e Flórida, associado à empresa de Paul Carlos, também conhecido como Paulo Calixto. Mineiro declarou que não foi informado de que os recursos se destinavam ao financiamento de um filme e que jamais aceitaria participar de algo do tipo pelo risco reputacional.

"A operação foi apresentada como uma oportunidade de subscrição em um fundo de private equity voltado ao desenvolvimento de empreendimentos imobiliários (real estate) no mercado norte-americano, em especial nos estados do Texas e Flórida, associado à empresa de Paul Carlos (Paulo Calixto)", disse na delação.

Com o Banco Master descartado como fonte pelo próprio liquidante, e com o rastreio tendo chegado apenas até a Entre Investimentos sem esclarecer de onde veio o capital, a pergunta central permanece sem resposta: quem financiou os R$ 62 milhões? A ausência de um contrato de patrocínio é a peça que tornaria rastreável toda a operação.

A versão de que tudo se resume a um patrocínio privado, sem papel assinado e sem rastro contábil, contrasta com a complexidade da estrutura revelada: doleiro, cunhado, offshore, fundo imobiliário e intermediários que afirmam não saber que estavam financiando um filme. Enquanto a apuração avança, a origem do dinheiro segue sendo um mistério.

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