A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, publicou nesta segunda-feira uma nota oficial em homenagem a 32 militares cubanos que integravam a guarda de Nicolás Maduro e foram mortos durante o que o governo venezuelano classificou como uma "agressão criminosa" dos Estados Unidos contra o território nacional.
No comunicado, ela afirma que os soldados atuavam no âmbito da cooperação entre Estados soberanos e cumpriam funções de proteção e defesa institucional. Segundo a nota, o grupo morreu na madrugada de 3 de janeiro, durante a ação militar dos EUA, tratada pelo governo como violação direta da soberania venezuelana.
A presidente interina destacou a "valentia, disciplina e compromisso inquebrantável com a paz e a estabilidade regional" dos cubanos e expressou pesar ao governo e ao povo de Cuba.
Rodríguez também agradeceu publicamente ao presidente cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez e ao general Raúl Castro Ruz pelo apoio e "solidariedade" manifestados após os acontecimentos.
Em paralelo, Rodríguez declarou que sua prioridade é estabelecer uma relação "equilibrada e respeitosa" com os Estados Unidos, em mensagem direta ao presidente americano, Donald Trump, na qual reforçou o apelo pela paz no país.
"Consideramos prioritário avançar rumo a uma relação internacional equilibrada e respeitosa entre os EUA e a Venezuela, e entre a Venezuela e os países da região, baseada na igualdade soberana e na não interferência. Esses princípios norteiam nossa diplomacia com o resto do mundo", escreveu Rodríguez. "Estendemos um convite ao governo dos EUA para trabalharmos juntos em uma agenda de cooperação, orientada para o desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional, e para fortalecer a coexistência comunitária duradoura".

Quase simultaneamente, Trump afirmou a repórteres que os Estados Unidos estão "no comando" da Venezuela após a prisão de Maduro e enquanto dialogam com a nova liderança em Caracas.
"Estamos lidando com as pessoas que acabaram de assumir o cargo. Não me perguntem quem está no comando, porque eu darei uma resposta muito controversa", disse Trump a bordo do Air Force One, ao ser questionado se havia conversado com a presidente interina.
Questionado sobre o que pretendia dizer, ele completou: "Significa que nós estamos no comando."
A Suprema Corte da Venezuela determinou, no fim da noite de sábado, que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiria a Presidência, quase 24 horas após a captura de Maduro pelos EUA. Maduro foi levado para os Estados Unidos, onde deve enfrentar acusações na Justiça, mas Delcy e a cúpula chavista insistiam que ele segue como o "único presidente" do país.
Logo após a captura, em uma operação que envolveu dezenas de aeronaves, navios e uma força de elite do Exército americano, e que teria deixado 40 mortos, de acordo com integrantes do governo local, Trump afirmou que os EUA passariam a "controlar" a Venezuela durante o processo de transição e chegou a citar de forma positiva o nome de Rodríguez em coletiva.
A vice de Maduro já havia dialogado com Washington em negociações sobre o petróleo e a participação de empresas americanas, como a Chevron, no país. Ainda assim, o projeto imediato dos Estados Unidos para a transição venezuelana não está completamente claro.



