Trump eleva a aposta; Irã chama acusações de "grandes mentiras"
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📅 25/02/2026

Trump eleva a aposta; Irã chama acusações de "grandes mentiras"

Às vésperas de novas negociações em Genebra, Teerã rebate falas de Donald Trump sobre mísseis e programa nuclear, enquanto os EUA reforçam a presença militar no Golfo e a repressão a protestos no Irã segue em disputa.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O Irã rebateu nesta quarta-feira 25 as "grandes mentiras" americanas, após Donald Trump acusar Teerã de desenvolver mísseis capazes de alcançar os Estados Unidos e de manter "sinistras ambições nucleares".

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Na quinta-feira 26, está prevista a retomada de um novo ciclo de negociações em Genebra, com mediação de Omã. Trump afirmou que dará prioridade à via diplomática, enquanto autoridades iranianas consideram que um acordo está "ao alcance da mão".

Washington intensificou as ameaças de ataque caso não haja entendimento e enviou um grande dispositivo militar ao Golfo, incluindo porta-aviões.

"O que estão alegando a respeito do programa nuclear iraniano, dos mísseis balísticos do Irã e do número de mortos durante os distúrbios de janeiro é simplesmente a repetição de 'grandes mentiras'", afirmou no X o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei.

Na noite de terça-feira, durante o discurso sobre o Estado da União, Trump disse que Teerã já "desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa" e as bases americanas no exterior, e acusou o país de trabalhar para "construir mísseis que em breve alcançarão os Estados Unidos".

"Atualmente, eles seguem adiante com suas sinistras ambições nucleares", alertou o mandatário republicano.

"Minha preferência é resolver este problema por meio da diplomacia, mas uma coisa é certa: nunca permitirei que o principal patrocinador do terrorismo no mundo, que é, de longe, o Irã, tenha uma arma nuclear", reiterou diante do Congresso.

"Eles querem chegar a um acordo, mas não ouvimos as palavras-chave: 'Nunca teremos uma arma nuclear'", acrescentou.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbass Araghchi, declarou que o país está "determinado a alcançar um acordo justo e equitativo, o mais rápido possível".

"Temos uma oportunidade histórica de alcançar um acordo sem precedentes que aborde as preocupações de ambas as partes e os interesses mútuos", escreveu Araghchi.

Segundo ele, chegar a um entendimento está "ao alcance da mão, mas somente se a diplomacia for priorizada".

Teerã nega ter ambições nucleares militares e insiste em seu direito ao uso civil da energia nuclear, com base no Tratado de Não Proliferação, do qual é signatário.

Irã e Estados Unidos retomaram o diálogo em 6 de fevereiro em Omã. No ano passado, organizaram cinco rodadas de negociações, interrompidas após uma guerra de 12 dias desencadeada em junho por um ataque israelense, durante a qual Washington bombardeou instalações nucleares iranianas.

Trump também acusou as autoridades iranianas de matar 32 mil pessoas na repressão à onda de protestos que teve ápice nos dias 8 e 9 de janeiro.

As autoridades iranianas reconhecem mais de 3 mil mortos nas manifestações e atribuem a violência a "atos terroristas" orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel.

A organização Human Rights Activists News Agency (HRANA) calcula que mais de 7 mil pessoas morreram na repressão e advertiu que o número real provavelmente é muito mais elevado.

Desde o reinício das aulas, no sábado, estudantes universitários voltaram a protestar em Teerã contra o governo.

A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, reconheceu que eles têm "o direito de manifestação", mas alertou que não devem ultrapassar alguns "limites".

Vídeos publicados nas redes sociais mostram estudantes queimando a bandeira da República Islâmica e gritando "Morte ao ditador", em referência ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Segundo um morador de Teerã, os protestos se limitam às grandes universidades.

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Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 13:04

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