A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) virou assunto nas redes ao publicar um vídeo que ironiza a professora Jacqueline Muniz, especialista em segurança pública e pesquisadora da UFF. A peça foi divulgada também pelo governo de Romeu Zema (Novo).
No vídeo, um homem aparece fazendo uma mulher de refém enquanto um policial se prepara para jogar uma pedra. A encenação faz referência à frase de Jacqueline — "um criminoso com fuzil na mão é facilmente rendido com uma pistola e até com uma pedra na cabeça" —, usada originalmente de forma metafórica.
A fala foi retirada do contexto. Jacqueline explicava que, com inteligência e estratégia, a polícia pode neutralizar o crime organizado sem confronto armado. O raciocínio técnico, sobre planejamento tático, virou meme entre perfis bolsonaristas.
Nos comentários, aliados da direita celebraram o conteúdo, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro repostou o vídeo em seus stories, elogiando a "zombaria". O gesto ampliou o alcance da publicação, que ultrapassou as páginas oficiais e circulou em perfis conservadores.
Críticos apontam que o episódio expõe a politização das redes da PMMG sob a gestão de Romeu Zema, com o uso de canais institucionais para atacar adversários ideológicos e associar a imagem da corporação a pautas da extrema direita.
Especialistas em segurança pública afirmam que o uso de perfis oficiais para produzir sátiras rebaixa a missão dos militares, que é proteger a população e garantir a ordem. Segundo analistas, o caso evidencia a mistura entre política e polícia, corroendo a neutralidade de uma força que deveria se manter técnica e republicana.
Em entrevistas anteriores, a pesquisadora reforçou que sua frase foi pedagógica, como forma de ilustrar que a inteligência tática e o preparo institucional são mais poderosos do que qualquer armamento pesado.

