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Conflito entre Lira e Renan emergem em meio a alegações de corrupção e luta bilionária sobre a indústria química Braskem

A instabilidade da mina de sal-gema da Braskem em Alagoas, que corre o risco de colapso imediato, reacende a rivalidade entre aliados do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que demanda apoio federal, e do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que pede a CPI.

A situação crescente das minas de sal-gema da Braskem em Maceió, à beira de um colapso iminente, inflama uma rixa entre dois grupos políticos hostis em Alagoas: os aliados do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do senador Renan Calheiros (MDB-AL), pai do atual Ministro dos Transportes, Renan Filho. Nos meses recentes, Lira, Renan e seus respectivos aliados apontaram acusações relativas às repercussões da atuação da Braskem e da indenização bilionária imposta à corporação, que também é alvo de disputa entre as administrações municipal e estadual.

Em junho, após a Braskem e o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), anunciarem um consenso para que a última seja reembolsada em R$ 1,7 bilhão pela corporação, o governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), acionou o Tribunal de Contas da União (TCU) querendo a suspensão do caso. Dantas, aliado de Calheiros, argumentou que o acordo era 'excludente', não contemplando o governo estadual.

Simultaneamente, Renan solicitou ao TCU a paralisação de qualquer conversa para a venda da Braskem, afirmando que era necessária uma nova avaliação do passivo total da empresa, incluindo multas e indenizações. Ainda que a Novonor, ex-Odebrecht, seja a maior acionista da Braskem, o governo federal possui parte relevante da empresa por meio da Petrobras, a segunda maior proprietária e que detém prioridade para adquirir o controle acionário.

Lira, por outro lado, apoiador de Caldas, endossou o acordo e classificou o pagamento como 'um feito da gestão' atual. O presidente da Câmara considera que 'a reparação financeira chegará e será utilizada para obras em Maceió, em benefício da população.'

Com a indenização, que será dividida em cinco partes e supera todo o orçamento anual de Maceió, Caldas terá um grande aporte de recursos para sua administração, já que ele é candidato à reeleição em 2024. O MDB de Renan já anunciou que vai apoiar um candidato de oposição.

Em setembro, Caldas anunciou que a prefeitura fechou a compra de um hospital privado em Maceió, por R$ 266 milhões. A iniciativa foi utilizada por Renan e seu grupo para criticar o prefeito. Parceiros questionaram a legalidade da transação, feita sem licitação, e afirmaram que o número de leitos declarados pela administração municipal é superior ao existente. Renan Filho, ministro, na ocasião, levantou a suspeita de uso ilícito dos recursos da Braskem.

Recentemente, Renan protocolou no Senado um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para examinar a extensão dos danos e as responsabilidades da Braskem no afundamento do solo em Maceió. O senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL), opositor da família Calheiros e que disputou o governo de Alagoas no último ano com apoio de Lira, apresentou uma questão de ordem alegando que Renan não poderia participar da comissão devido a um conflito de interesses. The question of order has been rejected by the Senate president, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Opositores de Renan também costumam associar o senador à empresa devido a um inquérito, aberto pela Lava-Jato, que investigou suposto pagamento de propina pela Odebrecht a fim de obter benefícios para a Braskem no Senado. Renan foi indiciado em 2021 pela Polícia Federal, mas o inquérito foi arquivado no fim de 2021 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por avaliar que a obtenção de provas foi 'insuficiente'.

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