POLÍTICA

Pacheco enfrenta racha no PSD ao articular sucessão no Senado

Ala do partido resiste a Alcolumbre, nome do União Brasil apoiado por ele para comandar a Casa a partir de 2025

O plano do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), de eleger Davi Alcolumbre (União-AP) seu sucessor em 2025 já enfrenta resistências dentro do PSD, o partido do parlamentar mineiro. Correligionários de Pacheco tentam se cacifar à cadeira, em vez de apoiarem um nome de outra sigla.

A falta de sintonia entre Pacheco e a bancada de sua própria sigla já havia sido evidenciada na votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita decisões individuais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), projeto que avançou com o empenho de Pacheco. Sete senadores do PSD votaram a favor, mas quatro foram contra e três se ausentaram na ocasião.

Na avaliação de uma parte da bancada da sigla, é cedo para cravar se Alcolumbre é a melhor opção para presidir o Senado quando Pacheco deixar a cadeira. O entendimento é que falta muito para a disputa e que, até lá, ainda que largue com vantagem por ter influência no Congresso e também em cargos do governo, é imprevisível se Alcolumbre manterá a dianteira. A eleição só acontece em fevereiro de 2025.

O PSD é o maior partido do Senado, com 15 representantes. Uma ala da legenda avalia que não faria sentido apoiar um parlamentar de outra sigla. Entre os nomes do PSD que se movimentam para ser candidatos estão Eliziane Gama (MA), que votou contra a PEC patrocinada por Pacheco, Otto Alencar (BA) e Angelo Coronel (BA). Os dois também eram contra a pauta anti-STF, mas foram convencidos pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e apoiaram o texto.

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) chegaram a debater cenários e discutiram a possibilidade de Alcolumbre se filiar ao PSD ou ao MDB para vencer resistências. No entanto, há disputas regionais entre o ex-presidente do Senado e as duas legendas e o entendimento é que ele concorrerá pelo União Brasil.

Apesar da conversa com Renan, Kassab costuma dizer que não vai interceder nem por Alcolumbre nem por uma candidatura própria. Ele afirma que o diretório nacional vai respeitar a posição da maioria dos senadores da legenda.

No MDB, Renan é o que mais tem se movimentado para que o partido decida antecipadamente se vai ou não apresentar candidatura. O senador Omar Aziz (PSD-AM) avalia que discutir o assunto agora é prematuro, mas diz que o partido teria bons nomes caso decida entrar na disputa.

— Tem ótimos nomes dentro do partido que podem ser presidente, não tenho dúvida nenhuma, mas não há essa discussão.

Senadores do PSD admitem que há uma tentativa de convencimento para que haja candidatura própria.

— Vamos trabalhar para candidatura própria, (mas) está longe ainda —disse Angelo Coronel.

Da mesma forma, Eliziane Gama avalia que o apoio a Alcolumbre não é unanimidade na legenda. Ela diz que o PSD deverá ter candidatura própria. A senadora ganhou relevância após se tornar relatora da CPI do 8 de Janeiro. Ela também tem influência sobre a bancada feminina e se movimenta ressaltando a importância de o Senado eleger uma presidente mulher pela primeira vez.

Procurado, Otto Alencar disse que não discute a eleição para presidente do Senado neste momento.

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