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Retorno de espécies migratórias ao Brasil reacende preocupações com gripe aviária – saiba quais rotas e aves retornam

A migração das aves desempenha um papel vital para os ecossistemas, no entanto, durante sua jornada, muitas aves se tornam portadoras e disseminadoras de doenças, como a gripe aviária. Até agora, quase todos os focos da doença no Brasil foram identificados em aves migratórias. As autoridades estão empenhadas em impedir que a doença chegue às granjas.

Em média, cinco bilhões de aves migram pelo mundo todos os anos, instaurando uma conexão essencial entre distintas regiões e garantindo a continuidade das diversas espécies. Contudo, essa migração tem um lado sombrio: muitas dessas aves acabam hospedando e disseminando doenças como a gripe aviária, causada pelo vírus H5N1.

No Brasil, a gripe aviária foi confirmada pela primeira vez esse ano, com quase 150 focos registrados até agora, a maioria em aves migratórias. Devido ao ciclo migratório, o pico ocorreu em maio, mas a perspectiva é que os brasileiros recebem novamente esses visitantes entre setembro e dezembro, períodos de transição das estações nos hemisférios Norte e Sul. Em setembro, o país já registrou o segundo maior número de focos de gripe aviária do ano, o que reacendeu as preocupações das autoridades.

Para os profissionais de saúde, o maior temor é que essa infecção que tem sido prevalentemente identificada no litoral, chegue às granjas, provocando impactos na comercialização de frango e ovos.

A maioria dos focos descobertos no Brasil foi em aves migratórias, especialmente no litoral, resultando em uma contínua vigilância para evitar que estas aves venham a configurar um vetor de infecção para os seres humanos. Apesar de ainda não contar com um imunizante para humanos contra a gripe aviária, o Instituto Butantan tem envidado esforços para desenvolver uma vacina, atualmente em fase de testes.

Embora estejam sendo colocadas em prática diversas medidas de controle para mitigar a disseminação da gripe aviária no Brasil, ela já se instalou em outros lugares, como Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, Honduras, Panamá, Peru, Venezuela e Chile, chegando às aves desses lugares que antes estavam protegidas.

Os órgãos de saúde, o Ministério da Agricultura, as associações empresariais e o Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA) têm se unido para estabelecer estratégias eficientes de monitoramento da doença. Além disso, a Universidade do Rio Grande do Sul, em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, tem empregado técnicas de microchipagem em aves para analisar a relação entre os casos de gripe aviária e a presença dessas aves migratórias e prever ações preventivas.

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