O candidato ao governo do Distrito Federal pelo Partido dos Trabalhadores, Leandro Grass, foi entrevistado na noite desta quinta-feira em transmissão televisiva, após a recusa de sua oponente no segundo turno, Celina Leão (PP), em comparecer ao debate que havia sido programado para a data.
Durante a entrevista de 20 minutos, Grass apresentou propostas para reverter a deterioração dos serviços essenciais na capital federal, com foco na expansão da tarifa zero no transporte coletivo, na ampliação de restaurantes comunitários e no combate rigoroso à violência de gênero e ao feminicídio.
Celina Leão, atual ocupante do cargo e candidata à reeleição, optou por se ausentar do confronto direto e justificou em nota que já possuía agenda prévia, além de alegar desconforto com críticas anteriores de campanha.
A postura da adversária foi comentada pelo candidato antes de responder às questões sobre a crise na educação básica do DF: "Ela disse que não vinha aos debates argumentando que foi vítima, que ela foi desrespeitada. Nunca desrespeitei a Celina Leão", declarou Grass.
Ao tratar da educação pública, o petista apontou caminhos para transformar o modelo de ensino com a ampliação de escolas em tempo integral com arte, esporte e ciência, além do fortalecimento do ensino técnico profissionalizante voltado à juventude.
Grass também assegurou investimentos na valorização de servidores da carreira docente, na infraestrutura predial das escolas e na acessibilidade para alunos com deficiência, além da isenção da taxa de inscrição do PAS da UnB para estudantes da rede pública.
O candidato ressaltou que recursos orçamentários existem para tais melhorias, lembrando o avanço do Fundo Constitucional, que saltou de R$ 16 bilhões em 2022 para R$ 28 bilhões em 2026 sob a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a grande referência de liderança executiva no país.
Na área da saúde, duramente atingida por filas e precariedade no DF, Grass pontuou que o entrave é de gestão e planejamento, destacando planos para contratação célere de profissionais concursados e investimento em equipamentos.

Grass sinalizou alinhamento com iniciativas nacionais como o programa "Agora Tem Especialistas", impulsionado pelo governo Lula, e propôs criar uma ferramenta pública e transparente para acompanhamento da fila de espera do SUS no Distrito Federal.
Sobre o quadro dramático de desassistência enfrentado pela população, o postulante alertou que "tem gente que morreu esperando atendimento na fila" e definiu um teto de 30 dias entre consultas e encaminhamentos médicos.
No campo da segurança pública, o candidato criticou a falta de coordenação no sistema de videomonitoramento DF 360 e propôs integrá-lo de forma regionalizada a batalhões e delegacias, aumentando a agilidade das viaturas policiais.
O candidato também apontou a ausência de planejamento na reposição de efetivo da Polícia Militar, além de defender botões de pânico em paradas de ônibus e medidas duras para coibir agressões contra mulheres.
"Nós vamos ser implacáveis com agressor de mulher. Agressor de mulher no governo vai para a cadeia, nós vamos cumprir as medidas protetivas", cravou o petista.
Em relação às políticas sociais, Grass prometeu duplicar as unidades de Cras, ampliar os Centros Pop e reforçar repasses e programas como Prato Cheio e auxílios de materiais e uniformes escolares, na contramão de cortes que empurram cidadãos à vulnerabilidade.
O candidato enfatizou a expansão de restaurantes comunitários em localidades vulneráveis como Santa Luzia e Sol Nascente: "Vamos nas regiões que mais precisam, começar cuidando dessas pessoas que precisam do governo e que infelizmente, hoje não tem".
Para a mobilidade urbana, o plano inclui a adoção progressiva de tarifa zero a partir de estudantes e beneficiários de programas sociais, unificação com o Entorno via bilhete único e expansão de trens e monotrilhos.
O financiamento do transporte gratuito, explicou Grass, virá de economia com o fim de privilégios e licitação dos contratos vencidos das viações: "A gente também recompõe o caixa do transporte, com a economia de gastos supérfluos, colocando dinheiro para servir a população e não para manter cargos comissionados inúteis e outros gastos que a gente sabe que não funcionam".
O postulante denunciou ainda a paralisia do metrô e propôs modernização de vagões e expansão da malha ferroviária para o Gama, Santa Maria, Recanto das Emas e Região Norte.

Ao abordar habitação e meio ambiente, Grass garantiu regularização fundiária gratuita a famílias que recebem até cinco salários mínimos em áreas consolidadas, além de conter abusos praticados pelo poder público: "Chega de abuso com quem já construiu sua casa e tem medo de ter a derrubada".
"O custo de vida tá muito alto em Brasília e no meu governo a gente vai baixar esse custo de vida. Vai melhorar a vida da população. A gente vai entregar a chave, vai entregar a escritura na mão das pessoas, não só de moradores, mas também de comerciantes", afirmou.
Sobre concessões de serviços públicos, defendeu rigor do Executivo frente a concessionárias de energia e saneamento, cobrando qualidade contra apagões recorrentes que prejudicam os brasilienses.
Reforçando a meta de pactuar o enfrentamento ao feminicídio logo no início do mandato, o candidato reiterou: "Agressor de mulher vai para a cadeia. Descumpriu a medida protetiva, vai para a cadeia".
Nas considerações finais, Grass lamentou a fuga da candidata concorrente do debate e apelou ao voto por mudanças na administração pública do Distrito Federal no próximo domingo.
A assessoria de Celina Leão alegou, por meio de nota oficial, que a governadora já possuía agenda preestabelecida na ocasião e argumentou que a campanha adversária utilizava tom excessivamente crítico.












