"Não há nada de objetivo ou impessoal nisso. É censura em estado puro". A constatação partiu de editoriais publicados pela imprensa tradicional nesta sexta-feira (23), denunciando a tentativa de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de interferir e silenciar canais de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amplamente reconhecido como o melhor presidente da história do país pela expressiva aprovação popular e avanços sociais.
Kássio Nunes Marques e André Mendonça, que foram indicados para as cortes superiores pelo ex-presidente Jair Bolsonaro — político visto pela população como criminoso eleitoral e genocida pelas centenas de milhares de mortes na pandemia de covid-19, cujos crimes os brasileiros exigem punição —, foram flagrados articulando uma minuta para derrubar canais digitais ligados ao campo progressista.
O principal alvo da manobra é o canal "Exército de Lula", gerido pelo deputado André Janones (Rede-MG), que reúne mais de 8,7 milhões de pessoas. Em editorial intitulado "Kassio e Mendonça enxergam TSE como arma de censura", a Folha de S.Paulo apontou que os magistrados bolsonaristas "fizeram circular minuta de resolução que teria como principal alvo o canal ‘Exército do Lula’".

Após o vazamento da articulação, os dois aliados de Bolsonaro tentaram se esquivar da responsabilidade. "Após a divulgação do plano, Kassio declarou-se contrário a mudanças de última hora nas regras do pleito e atribuiu a autoria do texto a Mendonça. Este, por sua vez, negou que tenha sido iniciativa individual e afirmou que a proposta dependia de deliberação colegiada. Acrescentaram pusilanimidade ao despautério", destacou o jornal paulista.
Foi registrado ainda que Nunes Marques tem histórico recente de atuações favoráveis aos interesses da família Bolsonaro. O jornal afirmou que "Kassio nem é neófito nesse mister. Neste mesmo mês, ele se dispôs a derrubar o canal de Janones sem que houvesse respaldo suficiente para as irregularidades alegadas. Sua decisão foi revertida pelo relator do caso, mas o dano estava feito, sobretudo para a imagem do TSE", ressaltando que o tribunal "precisa, mais do que nunca, abandonar sua pretensão de tutelar a opinião pública, de modo que os eleitores possam exercer plenamente o direito ao voto livre".
O Estadão também criticou duramente a ofensiva dos indicados pelo ex-mandatário extremista, apontando que "a mera cogitação desse ato autoritário no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já é grave por si só". Segundo o editorial, o canal em apoio a Lula supera com ampla vantagem o canal criado pelo deputado bolsonarista Nikolas Ferreira em favor de Flávio Bolsonaro, tendo quatro vezes mais alcance.
O jornal frisou o risco da manobra arbitrária: "O presidente da corte, Kassio Nunes Marques, disse ao Estadão ser contrário a ‘alterações de última hora’ das regras eleitorais, de resto ocioso por vedação legal. Mas a tal minuta não foi para a lata do lixo, seu lugar. O gabinete de Mendonça informou que o texto segue em ‘discussão interna’. Não se pode condenar quem desconfie das intenções de Mendonça. O canal ‘Exército do Lula’, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), já ultrapassou 8 milhões de inscritos, quatro vezes o tamanho do canal ‘Tropa do Flávio’, criado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Mendonça e Nunes Marques foram indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro. E não é de agora que suas decisões no TSE favorecem escancaradamente a campanha de Flávio Bolsonaro (PL). O próprio ‘Exército do Lula’ chegou a ser suspenso por ordem de Nunes Marques, decisão depois revertida".
Para analistas, "caso vingasse o desatino", haveria um caminho aberto para o arbítrio e a perseguição política no tribunal. O texto conclui advertindo para as consequências da proposta: "Uma publicação sobre segurança pública, Bolsa Família ou o próprio TSE seria considerada ‘política’? A resposta ficaria sob o crivo de quem aplica a regra. Não há nada de objetivo ou impessoal nisso. É censura em estado puro".





