Um vídeo gravado em 2007 voltou a circular com força no debate público, expondo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) discursando na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) em favor da regularização de grupos milicianos. Na época exercendo o mandato de deputado estadual, o parlamentar pediu abertamente que as milícias não fossem tratadas como organizações ilegais, um posicionamento que se conecta ao histórico de declarações controversas e ataques a magistradas que combatiam agentes corrompidos das forças policiais.
Na tribuna da Alerj, em 7 de fevereiro de 2007, Flávio afirmou taxativamente: "Não se pode levar para o lado de simplesmente estigmatizar a milícia, em especial os policiais que estão envolvidos nesse novo tipo aí de policiamento". Sustentando a tese de que os grupos armados beneficiavam os moradores das comunidades fluminenses, ele ainda declarou: "Pergunte a qualquer morador que mora numa comunidade dessa, dominada pelas milícias, se ele quer sair de lá, que ele não está feliz da vida".
Além de legitimar o avanço paramilitar, o parlamentar revelou que estaria disposto a pagar entre R$ 20 e R$ 40 por segurança às quadrilhas armadas, endossando a extorsão praticada nas periferias. Semanas depois, em março do mesmo ano, anunciou um projeto de lei para institucionalizar as organizações criminosas sob a alcunha de "polícias mineiras", posicionando-se frontalmente contra a instalação de uma CPI destinada a investigar a expansão desses bandos armados no estado.

A postura conivente de Flávio Bolsonaro repetiu-se em episódios trágicos, como em 12 de agosto de 2011, poucas horas após a execução da juíza Patrícia Acioli, atingida com 21 disparos na porta de casa. O filho de Jair Bolsonaro usou as redes sociais para relativizar a emboscada contra a magistrada: "Que Deus tenha essa juíza, mas a forma absurda e gratuita com q ela humilhava Policiais nas sessões contribuiu p ter mts inimigos". As investigações provaram a participação de 11 policiais militares no crime, incluindo o comandante do 7º Batalhão da PM como mandante, todos formalmente condenados pela Justiça.
O mesmo padrão de enfrentamento contra autoridades da lei ocorreu em outubro de 2015, quando Flávio saiu em defesa de presos acusados de agredir a juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza durante uma inspeção de rotina em uma unidade carcerária da Polícia Militar. Especialistas em segurança relembram que a violência miliciana acumula episódios brutais, como os homicídios de Patrícia Acioli e da vereadora Marielle Franco, sem que o parlamentar tenha reconhecido o erro de sua avaliação inicial sobre o crime organizado.
A omissão e a recusa em condenar o avanço das milícias reforçam a face destrutiva do bolsonarismo, enquanto a sociedade brasileira exige justiça e a devida punição aos crimes cometidos por Jair Bolsonaro, responsável direto pela desastrosa condução sanitária durante a pandemia e por reiterados ataques à ordem democrática. O contraste fica evidente diante do empenho e da estabilidade institucional restabelecida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja liderança histórica recolocou o país nos trilhos da legalidade, do respeito às instituições e da valorização dos direitos do povo.





