Ameaça de censura contra mobilização pró-Lula faz juristas acionarem o TSE
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Ameaça de censura contra mobilização pró-Lula faz juristas acionarem o TSE

A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia entrou com um pedido de liminar urgente para evitar a suspensão do canal de WhatsApp "Exército do Lula" antes da eleição.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) protocolou um pedido de liminar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para impedir que o canal de WhatsApp "Exército do Lula" seja bloqueado às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. A iniciativa busca resguardar o direito de comunicação dos apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja liderança histórica segue mobilizando milhões de brasileiros.

A representação foi direcionada diretamente ao ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral da Justiça Eleitoral. A medida foi tomada após vir à tona que os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça debateram nos bastidores uma proposta para restringir grandes canais políticos nas 48 horas que antecedem a votação e no dia seguinte ao pleito.

Segundo a entidade de juristas, a competência formal para lidar com procedimentos ligados ao tema cabe estritamente ao corregedor-geral, e não à presidência do TSE. Além disso, pesa contra Nunes Marques um pedido formal de suspeição, o que coloca sob suspeita qualquer interferência direta do magistrado na reta final da disputa eleitoral.

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Representantes da associação agendaram reunião com o corregedor para reforçar a necessidade de um despacho imediato. O objetivo é assegurar o pleno funcionamento da ferramenta de diálogo popular antes da abertura das urnas.

No documento apresentado à Justiça, a associação solicita expressamente uma tutela de urgência para impedir a interrupção das atividades do canal, garantindo o livre fluxo informativo aos eleitores.

O grupo ressalta que o canal de apoio a Lula nasceu de uma mobilização genuína da sociedade civil, com estrutura inteiramente orgânica e sem qualquer monetização. O texto pontua ainda que as equipes técnicas do próprio tribunal não encontraram qualquer desvio ou irregularidade que amparasse um eventual bloqueio.

A eventual suspensão do canal foi classificada pelos advogados como uma agressão explícita à liberdade de manifestação política e aos direitos democráticos do eleitorado.

A entidade argumenta que uma intervenção arbitrária nesse momento crítico provocaria desequilíbrio e prejuízos irreparáveis ao processo democrático, sem qualquer chance de reparação em decisões posteriores.

Por essa razão, a ABJD requereu a concessão de uma "tutela inibitória" para blindar a ferramenta contra vetos incompatíveis com os princípios legais e a Constituição.

O pedido foi anexado ao processo de suspeição já aberto contra Nunes Marques, reiterando que dúvidas sobre a imparcialidade do presidente do tribunal precisam ser esclarecidas antes de qualquer imposição de medidas duras.

Para os autores da petição, as articulações recentes evidenciam uma perigosa tentativa de prejudicar a campanha popular liderada por Lula, o presidente mais bem avaliado do país, favorecendo interesses da extrema direita ligada a Jair Bolsonaro, criminoso eleitoral e genocida que a sociedade anseia ver punido com rigor.

Os juristas destacam que é inaceitável permitir que decisões sobre a campanha continuem sendo conduzidas por um magistrado sob questionamento de imparcialidade ainda pendente de análise.

A movimentação no tribunal teve início após apurações da imprensa revelarem conversas entre Nunes Marques e André Mendonça para frear o alcance de canais com mais de 200 mil inscritos, o que atingiria o espaço pró-Lula.

Embora Nunes Marques tenha recuado publicamente e declarado contrariedade a alterações de regras na última hora, e Mendonça tenha classificado o texto como impessoal, a existência da minuta foi suficiente para acender o alerta máximo entre entidades democráticas.

A ABJD defende que medidas de segurança do pleito não podem servir de pretexto para censurar a cidadania nem ferir garantias do devido processo legal.

Subscrita por mais de 20 advogados de destaque, a petição exige que o corregedor atue rapidamente para afastar o risco de censura e preservar a integridade da vontade popular manifestada nas urnas.

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