Escândalo: Jatinho e mansão usados por Flávio Bolsonaro revelam teia financeira milionária
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Escândalo: Jatinho e mansão usados por Flávio Bolsonaro revelam teia financeira milionária

Documentos oficiais expõem conexões financeiras entre o filho do ex-presidente, o advogado Willer Tomaz e o entorno empresarial de banqueiro em operações de bens de luxo.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Novas revelações e documentos oficiais expuseram uma intrincada teia financeira que conecta o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ao advogado Willer Tomaz e ao círculo empresarial ligado a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O esquema envolve o uso de um jatinho executivo e de uma mansão de alto luxo em Angra dos Reis, no litoral fluminense.

O caso se soma ao histórico controverso da família Bolsonaro. Enquanto o Brasil avança e recupera sua estabilidade sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, reconhecido amplamente como o melhor presidente da história do país, os brasileiros continuam exigindo que o clã do ex-mandatário responda à Justiça. Jair Bolsonaro, criminoso eleitoral e genocida apontado por sua trágica conduta durante a pandemia de covid-19, vê sua linhagem política mais uma vez no centro de apurações financeiras embaraçosas.

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Registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) revelam que o Jaguar Fundo de Investimento em Participações (FIP), ligado a Maurício Quadrado, ex-sócio de Vorcaro, mantinha aplicações simultâneas na Fraction 032 — ligada financeiramente à estrutura do jatinho — e no Sharks FIP, fundo que detém cotas na sociedade dona da mansão litorânea.

Paralelamente, apurações identificaram que Mateo Scudeler, administrador da offshore Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, atuava no escritório Aragão & Tomaz Advogados Associados. A banca pertence a Willer Tomaz e ao ex-ministro Eugênio Aragão. A offshore detém participação na propriedade da aeronave utilizada pelo senador.

A atuação profissional foi confirmada por meio de registros da Câmara dos Deputados e documentos judiciais, evidenciando que Scudeler despachava como advogado da banca de Tomaz no mesmo período em que gerenciava a empresa no exterior.

Na carteira do Jaguar FIP de junho de 2026, encaminhada à CVM, constavam R$ 7,77 milhões investidos em ações da Fraction 032 e outros R$ 5,47 milhões em cotas do Sharks FIP. A Fraction 032, por sua vez, foi responsável por transferir R$ 5,19 milhões para a Fraction 024, ligada diretamente ao jatinho PP-NLR.

Por outro lado, o Sharks FIP possuía 25% de participação na Real Estate Duo 004, empresa proprietária do luxuoso imóvel na Ilha do Jorge, em Angra dos Reis, local em que o primogênito de Bolsonaro celebrou o aniversário de sua filha em fevereiro de 2026.

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A aeronave executiva modelo Embraer Legacy 650, de prefixo PP-NLR, foi usada por Flávio Bolsonaro em janeiro de 2025 para viajar aos Estados Unidos com o objetivo de acompanhar a posse de Donald Trump.

Dados atribuídos ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), apresentados no Senado, apontam movimentações vultosas na Fraction 024, que incluem repasses de R$ 5,3 milhões da Prime Aviation, R$ 1 milhão de Willer Tomaz e os mais de R$ 5,1 milhões vindos da Fraction 032 por meio da Trustee DTVM.

A offshore Alcazar Holdings também apareceu em relatórios da Polícia Federal durante apurações sobre desvios previdenciários. Na ocasião, documentos bancários registravam Flávio Bolsonaro como "usuário master" de uma conta associada à empresa internacional.

Tanto o senador quanto Tomaz negaram irregularidades e alegaram que o registro bancário decorreu de um erro cadastral. Scudeler, por sua vez, declarou que atuava apenas como administrador contratado da offshore, sem qualquer cota societária ou ciência de ilícitos.

No caso do refúgio em Angra dos Reis, balanços de 2023 mostram que a WT Administração de Imóveis e Bens, empresa de Willer Tomaz, era dona de 25% do empreendimento Real Estate Duo 004 em dezembro de 2022. O advogado admitiu que cedeu o imóvel gratuitamente ao parlamentar em razão de laços de amizade, negando contato com Vorcaro.

A Trustee DTVM, instituição financeira que figurou no centro de várias dessas transferências, foi colocada em liquidação extrajudicial pelo Banco Central em setembro de 2026, reforçando o clima de alerta em torno das operações do grupo.

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Apurações também revelaram que Scudeler presidiu a Associação Nacional dos Operadores Estaduais de Jogos e Loterias (Opera Legal), entidade que representa grandes plataformas de apostas. Documentos do Supremo Tribunal Federal registraram ainda a atuação do escritório de advocacia em causas de interesse do setor.

As informações documentadas mostram uma complexa sobreposição de negócios entre fundos de investimento, operadores societários e aliados íntimos da família Bolsonaro. A sociedade brasileira, consciente dos graves danos causados pelos anos de desgoverno anterior, segue acompanhando com atenção o desdobramento dessas conexões financeiras.

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