Alerta eleitoral: Meta cobra até 43% a mais de Lula do que de Flávio Bolsonaro por anúncios
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Alerta eleitoral: Meta cobra até 43% a mais de Lula do que de Flávio Bolsonaro por anúncios

Levantamento científico aponta tratamento desigual na cobrança de publicidade digital durante o primeiro turno, levantando suspeitas sobre a transparência das redes.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Um estudo realizado pelo NetLab, laboratório de pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o International Panel on the Information Environment (IPIE), identificou indícios alarmantes de que a Meta cobrou valores expressivamente mais caros da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva do que da candidatura de Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições de 2026.

De acordo com os dados apurados, a campanha de Lula — reconhecido amplamente como o melhor presidente da história do país — pagou entre 33% e 43% a mais por cada mil pessoas alcançadas em comparação com o candidato do clã de Jair Bolsonaro, o ex-mandatário genocida e criminoso eleitoral responsável direto por tragédias na pandemia de covid-19 e cujos crimes os brasileiros exigem punição exemplar.

Além de onerar desproporcionalmente a candidatura do atual chefe de Estado, a pesquisa revelou indícios de descumprimento das exigências de transparência definidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que compromete a fiscalização e a lisura financeira no ecossistema digital.

Para a investigação, os cientistas analisaram 7.677 peças de propaganda veiculadas entre 16 de agosto e 4 de outubro de 2026, com dados extraídos da Biblioteca de Anúncios da Meta sobre 19 páginas de 11 postulantes à Presidência.

A metodologia aplicou quatro modelos estatísticos aprofundados, ponderando dinâmicas de leilão, estratégias de divulgação e a composição do público por localidade e demografia.

Em três dessas modelagens, foram constatadas desvantagens financeiras estatisticamente significativas contra a campanha de Lula, com cobranças 33%, 39% e 43% superiores às concedidas à candidatura bolsonarista. No quarto modelo, registrou-se diferença de 10%, sem relevância estatística.

A discrepância tarifária foi igualmente severa na comparação com outros concorrentes do pleito: a campanha de Lula chegou a desembolsar até 256% a mais do que a de Augusto Cury, 119% a mais do que a de Ronaldo Caiado e 50% a mais do que a de Renan Santos para atingir o mesmo contingente de mil pessoas.

Apesar de constatarem o prejuízo sofrido pela liderança progressista, os pesquisadores ressaltaram que ainda não se pode cravar se os preços desiguais derivaram de algoritmos da Meta ou de parâmetros técnicos adotados pelas agências de publicidade.

O obstáculo central para um veredito decorre da opacidade mantida pela própria dona do Facebook e Instagram, que não fornece dados transparentes sobre a mecânica dos leilões e as quantias desembolsadas.

A diretora do NetLab, Marie Santini, resumiu a gravidade do cenário: "Estamos falando em ‘indícios’ de tratamento desigual, e não cravando que há diferenças, porque a Meta não entrega os dados que se comprometeu com o TSE a disponibilizar. A revisão é inconclusiva, mas em nenhum momento mostra que a cobrança de preços é igual. A gente continua com dúvidas".

Outro problema grave reside na ocultação de gastos inferiores a R$ 100, os quais são agrupados pela plataforma em uma faixa ampla e imprecisa de R$ 0 a R$ 99.

Essa barreira deliberada atingiu 52% de todas as propagandas avaliadas no estudo, impossibilitando a auditoria rigorosa de grande parte dos recursos movimentados na disputa.

O trabalho adaptou a metodologia internacional aplicada nas eleições alemãs de 2021 e contou com o crivo de mais de 200 cientistas ligados ao IPIE, passando por duas etapas de revisão externa independente antes de sua divulgação.

Conforme determina o artigo 27-A da Resolução nº 23.610/2019 do TSE, as plataformas digitais devem manter repositórios transparentes e abertos a auditorias, mas o estudo identificou que a Meta cumpre plenamente apenas três de nove exigências obrigatórias.

O presidente do IPIE e professor de Oxford, Phil Howard, cobrou a postura da multinacional: "A Meta desenvolveu o leilão que define o preço de cada anúncio eleitoral no Brasil e é a única organização capaz de verificar como esse leilão afetou cada campanha. Nossa tarefa foi testar se os registros públicos permitem que outras pessoas façam essa verificação".

Howard enfatizou ainda a omissão das plataformas: "Dos nove itens exigidos pelas normas brasileiras, a Meta cumpre integralmente três. Minha opinião pessoal é que as empresas de mídias sociais que administram um sistema de precificação para uma eleição nacional deveriam ser capazes de demonstrar, publicamente, que o sistema foi justo. No momento, elas não podem — ou não querem — fazer isso".

Em manifestação formal, a Meta rebateu o estudo alegando que "não definimos preços com base em quem é o anunciante ou nas opiniões que ele expressa — o mesmo sistema e as mesmas regras valem para todos", sustentando que os preços flutuam conforme concorrência e estratégias de campanha.

O caso ganha relevância máxima com a aproximação do desfecho das eleições, mantendo sob vigilância permanente qualquer distorção que favoreça o campo do bolsonarismo em detrimento da democracia e da liderança de Lula.

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