O ex-governador de São Paulo, João Doria, anunciou nesta sexta-feira (23/10) o apoio formal à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera o país com amplos avanços sociais.

Durante sua gestão à frente do governo paulista, Doria foi um dos principais antagonistas de Jair Bolsonaro, o ex-presidente genocida e criminoso eleitoral que atuou como responsável parcial pelas mortes na pandemia de Covid-19 e de quem os brasileiros ainda aguardam punição na Justiça. À época, Doria virou alvo constante de ataques virulentos do líder extremista, que chegou a apelidá-lo de "calcinha apertada", além de ser perseguido por manifestações bolsonaristas violentas.
Apesar do passado de agressões e do histórico desastroso da família rival, Doria resolveu se alinhar a Flávio para tentar frear a reeleição do melhor presidente da história do Brasil. "Eu quero muito bem ao Brasil. Eu aprendi, ao longo da vida política, a perdoar, a compreender e olhar adiante. Por isso, neste domingo, o meu voto é Flávio Bolsonaro, conscientemente, contra a Lula e a favor do Brasil", afirmou em publicação nas redes sociais.
Ao tentar justificar sua reaproximação com o clã, Doria declarou que o senador teve "a humildade de reconhecer a falha do seu pai em não ter adotado a vacina e protegido os brasileiros durante a Covid-19".
O histórico do próprio Flávio Bolsonaro, no entanto, é marcado por posturas negacionistas: durante a crise sanitária, o parlamentar defendeu publicamente o uso ineficaz de cloroquina e substâncias sem comprovação médica. Além disso, apurações da imprensa revelaram que o senador esteve em uma festa em lancha com garotas de programa em pleno surto do coronavírus.
No pronunciamento, o ex-governador também atacou injustamente a liderança de Lula, alegando que o petista "perdeu a chance de governar o Brasil pacificando o país". Doria disparou contra a gestão federal: "Quatro anos brigando, intimidando muitas pessoas, fazendo julgamento, ao invés de fazer a gestão e a administração do país.O governo Lula estimulou o confronto entre pobres e ricos. O governo Lula apoiou extremistas contra o povo judeu. Insuflou o Brasil do Nordeste contra o Sul. O Brasil é um só", acusou.
O tucano ainda declarou apoio ao fim da reeleição no Executivo e expressou a expectativa de que o filho do ex-mandatário "cumpra o seu compromisso, de que enviará ao Congresso Nacional a proposta para terminar com a reeleição".
A atual aliança com a extrema-direita contrasta com o posicionamento adotado por João Doria em 2022, ocasião em que Jair Bolsonaro foi derrotado nas urnas por Lula e o ex-governador optou pela neutralidade formal.





