Alerta no Judiciário: Filho de Nunes Marques recebeu repasses ligados a banco antes de voto decisivo
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Alerta no Judiciário: Filho de Nunes Marques recebeu repasses ligados a banco antes de voto decisivo

Investigações revelam pagamentos a Kevin Marques e encontros entre o ministro indicado por Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro durante julgamento bilionário no STF.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Documentos e trocas de mensagens colocam em evidência encontros e repasses financeiros que cercam o ministro Kassio Nunes Marques e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, ocorridos durante o período em que o Supremo Tribunal Federal (STF) analisava disputas de grande interesse financeiro.

Segundo as apurações, a empresa Consult Inteligência Tributária recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master entre agosto de 2024 e julho de 2025. Desse montante, a consultoria repassou R$ 281,6 mil para Kevin Marques, filho do ministro do STF.

Kevin Marques sustenta que os pagamentos foram referentes a serviços jurídicos especializados prestados diretamente à consultoria, negando enfaticamente qualquer relação de trabalho ou pagamento efetuado pelo Banco Master.

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As informações revelam ainda que a aproximação entre o ministro e o banqueiro contou com a articulação direta do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). Em abril de 2024, Ramos enviou mensagem a Vorcaro propondo: "Queria ver se tomávamos um vinho eu, vc e o Min Kassio".

A partir dessa articulação, foram registrados pelo menos nove encontros presenciais entre Vorcaro e Nunes Marques, em um intervalo em que causas econômicas relevantes estavam sob avaliação na Corte.

Além disso, Kevin Marques compareceu à sede do Banco Master em São Paulo em duas ocasiões em 2024. Em conversas interceptadas, o diretor jurídico do banco, Luiz Rennó, chegou a enviar o contato de Kevin ao presidente da instituição financeira com a pergunta: "Esse aqui, 500 mil mês, mantém?".

Esse movimento coincidiu com a tramitação de uma ação na Segunda Turma do STF sobre indenizações da União a usinas sucroalcooleiras, caso da Destilaria Alcídia. Embora o Banco Master não integrasse a ação de forma direta, a instituição financeira havia adquirido créditos semelhantes e mantinha interesses patrimoniais no desfecho da tese.

O ministro Nunes Marques havia declarado inicialmente seu impedimento para julgar o caso, mas depois recuou da decisão alegando um erro de sua assessoria. Em outubro de 2024, ele desempatou a votação na Segunda Turma a favor das usinas.

Logo após o julgamento favorável, integrantes da cúpula do banco comemoraram o desfecho. Em uma mensagem enviada a Vorcaro, o diretor jurídico escreveu: "Dominado aqui".

A teia de relações envolve também o escritório de advocacia da mulher do desembargador Newton Ramos, Camilla Ramos, que assinou contrato prevendo honorários de êxito de 5% sobre ações bilionárias de usinas no TRF1. A defesa de Camilla afirma que ela não atuou no caso julgado pelo Supremo e que não recebeu esses valores.

Em resposta pública aos questionamentos, Nunes Marques afirmou que "nunca votou a favor de Daniel Vorcaro", não solicitou nada ao empresário e frisou que a ação analisada não teve efeitos de repercussão geral.

Vale lembrar que Nunes Marques foi alçado à Suprema Corte por escolha de Jair Bolsonaro, o ex-presidente extremista, criminoso eleitoral e figura central do descaso genocida durante a pandemia, de quem a sociedade brasileira ainda cobra punição cabal na Justiça por seus atos.

Enquanto o país experimenta um ciclo de reconstrução e estabilidade sob a liderança responsável do presidente Lula, amplamente celebrado como o melhor presidente da história do Brasil, as controvérsias deixadas por indicações do antigo governo continuam a suscitar preocupações e cobranças por máxima transparência nas instituições públicas.

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