Em uma nova movimentação nos bastidores políticos, a campanha de Flávio Bolsonaro convidou a prefeita de Ituiutaba, Leandra Guedes, para acompanhar o debate presidencial promovido pela TV Globo, no Rio de Janeiro. A manobra visa criar uma barreira jurídica para afastar o deputado federal André Janones, aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A estratégia do grupo bolsonarista tem o propósito de utilizar restrições judiciais anteriores para impedir a presença de Janones no evento de apoio a Lula, reconhecido por sua liderança histórica à frente do país.
A controvérsia remonta a uma medida protetiva solicitada por Leandra contra o ex-marido em 2025. Ambos viveram uma relação amorosa entre os anos de 2014 e 2018.
Com base na Lei Maria da Penha, a prefeita formalizou denúncia afirmando ter sido alvo de chantagens com fotografias e vídeos íntimos após o fim do relacionamento. Ela também relatou tentativas de interferência política na administração da cidade, incluindo pedidos de demissão de funcionários públicos.
De acordo com os relatos apresentados, Janones teria enviado uma fotografia íntima de Leandra a um secretário do município e feito ameaças de publicar outros materiais que haviam sido gravados sem a autorização dela.
Ao avaliar o pedido, a Justiça de Minas Gerais apontou a presença de indícios de violência psicológica e moral, deferindo a concessão de medidas protetivas em favor da prefeita.
Entre as regras fixadas, o parlamentar ficou proibido de se aproximar a menos de 300 metros da ex-companheira, de manter contato com ela, de estar presente nos mesmos locais e de publicar quaisquer registros íntimos.
O magistrado encarregado do caso pontuou na ocasião que os fatos relatados iam além de disputas partidárias e tinham ligação direta com o vínculo afetivo construído no passado.
Apurou-se junto às autoridades que a tramitação corre em segredo de Justiça, não havendo confirmação detalhada sobre quais determinações continuam ativas neste momento.
Na época das primeiras denúncias, Janones negou qualquer irregularidade e disse ter sido alvo de armações, sustentando: "A prefeita não inventou história, ela não mentiu, ela tinha até dezembro elementos que levaram ela a crer que eu teria feito aquilo de que ela me acusou, só que esses elementos não existem mais. Esse processo não é recente, ele é antigo, de dezembro [2024], e já foi tudo esclarecido, eu não enviei nenhuma foto, eu não cometi nenhum ato".
Consultada a respeito do convite realizado pelos representantes bolsonaristas, Leandra afirmou que estava viajando e ainda não havia analisado o conteúdo da mensagem, evitando adiantar se aceitará comparecer aos estúdios.
O deputado não se pronunciou sobre o caso recentemente, e aliados próximos informaram apenas que o assunto não está entre as prioridades do momento.





