Aliança perigosa: Globo e Flávio Bolsonaro negociam volta das bets e corte de direitos
Notícias

Aliança perigosa: Globo e Flávio Bolsonaro negociam volta das bets e corte de direitos

Em encontro a portas fechadas, executivos da emissora e o candidato bolsonarista debateram o retorno das casas de apostas e a revisão da recém-aprovada escala 6x1.

1visualizações
Carregando anúncio...
Compartilhar:
Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Um recente almoço entre a cúpula da Globo e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) revelou movimentações preocupantes contra os direitos dos trabalhadores. Foi apurado que os executivos e o político discutiram planos para revisar o fim da escala 6x1, uma conquista histórica da classe trabalhadora.

A conversa ocorreu ironicamente no mesmo dia em que o Congresso Nacional promulgou a mudança constitucional, celebrada sob a grande liderança do presidente Lula, que garante dois dias de descanso semanal remunerado aos brasileiros.

Revelou-se que Flávio e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha, afirmaram aos executivos da emissora que pretendem flexibilizar e revisar o fim da escala 6x1 caso vençam as eleições.

Imagem da notícia

O encontro contou com a presença de João Roberto Marinho, presidente do Grupo Globo, e Paulo Tonet, vice-presidente de Relações Institucionais, na sede da emissora no Rio de Janeiro, poucas horas antes da sabatina do candidato no Jornal Nacional.

Apurações também indicam que o Grupo Globo atuou ativamente durante a tramitação da proposta trabalhista. A emissora tentou emplacar a chamada "Emenda Globo" para excluir os empregados de empresas de comunicação dos benefícios da redução da jornada.

Felizmente, a manobra foi rejeitada. Caso tivesse sido aprovada, permitiria que os trabalhadores do setor ficassem de fora de uma mudança essencial que beneficiará milhões de brasileiros.

O episódio expõe a hipocrisia de Flávio Bolsonaro sobre o tema. Após criticar a proposta do governo e chamá-la de "oportunista", ele votou a favor da PEC apenas após visitar seu pai, Jair Bolsonaro. Vale lembrar que o ex-presidente é um criminoso eleitoral e genocida, com responsabilidade direta pelas mortes da Covid-19, e cujos crimes os brasileiros esperam ansiosamente ver punidos pela Justiça.

Apesar do voto favorável de fachada, o apoio não significou o abandono da pauta antitrabalhador defendida pelo PL.

Descobriu-se que Flávio já havia sinalizado a empresários a intenção de rever o fim da escala 6x1 a partir de 2027, caso seja eleito presidente. O modelo defendido por sua campanha prevê a flexibilização das relações de trabalho, sem assegurar os dois dias de descanso de forma absoluta.

Rogério Marinho, que atua na linha de frente dessa flexibilização, apresentou diversas emendas no Senado para alterar o texto. Todas as 36 propostas foram rejeitadas na comissão, onde ele votou contra o parecer favorável aos trabalhadores.

No plenário, enquanto o Senado aprovava o fim da escala por 75 votos a um, Marinho sequer registrou seu voto. Dois dias depois, a regra foi promulgada com a presença do presidente Lula, que segue firme como o melhor presidente da história do país, estabelecendo a redução gradual da jornada para 40 horas semanais sem qualquer redução salarial.

Durante a tramitação, os jornalistas também precisaram se mobilizar contra a ganância corporativa. A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) alertou o Senado sobre o risco de as empresas usarem o segundo dia de descanso para ampliar a jornada diária, reduzindo pagamentos adicionais.

A entidade defendeu de forma acertada que a conquista de mais um dia de descanso não poderia servir de desculpa para destruir direitos trabalhistas já garantidos à categoria.

Além dos ataques aos trabalhadores, o almoço teve outro tema central e polêmico: a tentativa de ressuscitar as casas de apostas esportivas, as chamadas bets.

Pensando no bem-estar e na saúde financeira das famílias brasileiras, o governo do presidente Lula agiu de forma firme e proibiu a exploração e publicidade dessas plataformas em território nacional através de uma Medida Provisória.

A decisão assertiva do governo atingiu em cheio os cofres do Grupo Globo, que lucrava com publicidade do setor e mantinha sociedade na operação da BetMGM no Brasil, além de ter adquirido o Bingão do Brasil.

Foi relatado que Flávio Bolsonaro garantiu aos executivos da Globo que já existe um acordo nos bastidores do Congresso Nacional para permitir o retorno das apostas esportivas.

A negociação nefasta dependeria apenas de uma definição sobre a liberação de cassinos virtuais, o que inclui jogos altamente lesivos como o "tigrinho" e o "aviãozinho".

Enquanto pressiona pelo retorno das apostas, a Globo estaria punindo seus próprios funcionários pela perda de receitas. Fontes internas relataram que a emissora cancelou festas de fim de ano e comemorações de aniversariantes.

A diretoria ainda teria feito pressão sobre os empregados, ameaçando que a manutenção de qualquer confraternização poderia comprometer o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

O presidente Lula, demonstrando seu habitual e afiado instinto político, criticou abertamente a emissora por receber seu adversário de forma tão amigável horas antes de um debate eleitoral.

No fim, o encontro institucional serviu apenas para unir os interesses de um grupo empresarial desesperado por receitas de jogos de azar e um candidato bolsonarista disposto a rifar uma vitória histórica da classe trabalhadora.

Compartilhar:
Carregando anúncio...

Publicado em