Ana Elisa denuncia ameaças após ataques de Nikolas
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Ana Elisa denuncia ameaças após ataques de Nikolas

Deputada federal eleita afirma que passou a receber ameaças de morte e estupro após publicações de Nikolas Ferreira e de outros perfis nas redes sociais.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

A deputada federal eleita Ana Elisa, do PT de Minas Gerais, denunciou na noite de quinta-feira (8) que passou a receber ameaças de morte e estupro. Segundo ela, a violência se intensificou depois de publicações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Diante da situação, sua equipe desativou o perfil da parlamentar eleita na rede social X, antigo Twitter.

O caso começou após o usuário Felipe Leme, identificado como @Leme12, recuperar postagens antigas de Ana Elisa sobre o fechamento de igrejas. O conteúdo circulou entre perfis bolsonaristas e foi compartilhado por Nikolas, que também publicou montagens contra a deputada eleita. Ana Elisa afirma que houve uma ação coordenada e que os ataques passaram a ameaçar sua integridade física.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Ana Elisa relatou que as ameaças se tornaram mais frequentes após as manifestações de Nikolas. Ela também responsabilizou Gleidson Azevedo e Eduardo Azevedo, irmãos do governador eleito de Minas Gerais, o senador Cleitinho (Republicanos), pela disseminação dos conteúdos.

"Pessoal, hoje mais cedo eu denunciei sobre as ameaças que eu estava sofrendo. Ataques coordenados bolsonaristas, o que não mudou agora na parte da noite. Acontece que agora, com as postagens do deputado federal Nikolas Ferreira, estou sofrendo mais ameaças de morte. Acredito que ninguém mereça sofrer ameaça de morte por estar politicamente engajado e tentando defender o que acha melhor para o país. O debate político para mim nunca foi sobre isso. A minha equipe desativou minha conta no Twitter porque estávamos recebendo ameaças de morte a cada dois minutos, ameaça de morte e ameaça de estupro. Estou totalmente vulnerável. Por enquanto, não tenho uma força-tarefa de segurança, e se qualquer coisa acontecer comigo, espero que vocês atribuam à conta de Nikolas Ferreira, Gleidson e Eduardo Azevedo, que foram as três pessoas que ajudaram a disseminar fake news contra mim aqui nas redes sociais. Fico por aqui", disse Ana Elisa em postagem nas redes sociais.

Gleidson e Eduardo Azevedo foram eleitos no último domingo. Gleidson conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados, enquanto Eduardo foi reeleito para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Em outra publicação, Ana Elisa afirmou que passou a ser alvo de montagens e conteúdos destinados a ridicularizá-la depois de participar da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A deputada eleita também destacou sua condição de mulher negra ao demonstrar preocupação com os possíveis efeitos dos ataques.

"Fiquei 45 dias fazendo campanha para mim. Agora vim ajudar na campanha do presidente Lula, e agora estou sendo alvo disso aí do gabinete do ódio. Montagens, prints, fotos minhas me ridicularizando. Não sabia que o debate político seria pautado dessa maneira. Achei que discutiríamos ideias, políticas. Portanto, fica aqui meu apelo. Sabemos o que eles fazem com uma mulher preta na política. Por isso, já estou falando para vocês, a quem associar caso aconteça qualquer coisa comigo nas próximas horas. Esse é o debate que estamos levando", disse Ana Elisa.

Entre os conteúdos divulgados por Nikolas está uma montagem que associa Ana Elisa ao influenciador conhecido como "Charles Henriquepédia". Na publicação, feita na noite de quinta-feira, o deputado escreveu: "gostava mais quando era humorista".

Em outra postagem, Nikolas compartilhou uma montagem em vídeo que associa a parlamentar eleita à primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja. O conteúdo foi publicado em resposta a uma manifestação de Felipe Leme, que mantém interações frequentes com o deputado nas redes sociais.

Essas interações chamaram a atenção de Ana Elisa pelo uso da palavra "resenha" por Nikolas durante uma troca de mensagens com Leme.

O deputado também publicou uma montagem em que aparece lendo um jornal fictício com a manchete "Resenha Confirmada". Na legenda, escreveu: "Janjinha não aguentou a resenha aqui, imagina no congresso. Foi um prazer, rapazes".

Ana Elisa relaciona o uso do termo "resenha" a uma comunidade virtual identificada como "bolha da resenha", associada a perfis de extrema direita e a conteúdos de caráter neonazista.

A expressão aparece no documento oficial "Glossário Analítico das Subculturas Violentas e Linguagens Digitais", do Ministério Público do Rio Grande do Sul. Segundo o órgão, a chamada "bolha da resenha" possui a seguinte definição:

A definição ressalta que essas comunidades nem sempre possuem caráter extremista, mas podem abrir espaço para discursos de ódio e para a normalização da violência. O uso isolado da palavra "resenha" não comprova o envolvimento de uma pessoa com organizações extremistas.

Felipe Leme também utiliza a expressão em suas publicações. Em 4 de outubro, escreveu "que resenha" ao comemorar o fato de Nikolas ter recebido mais votos do que Renan Santos, ex-candidato à Presidência pelo partido Missão.

A mobilização contra Ana Elisa ganhou força quando Leme recuperou postagens antigas da deputada eleita relacionadas ao "fechamento de igrejas". A partir desse conteúdo, ele divulgou na rede X o lema "LULA NÃO FECHE MINHA IGREJA", posteriormente reproduzido por Nikolas.

Após a repercussão das publicações e a sequência de ameaças relatadas, a equipe de Ana Elisa decidiu desativar o perfil da deputada eleita na plataforma.

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