Analista vê desgaste na estratégia eleitoral de Lula
Notícias
📅 05/10/2026

Analista vê desgaste na estratégia eleitoral de Lula

Marcello D’Angelo afirmou que o discurso de "nós contra eles" usado por Lula perdeu força e avaliou que o resultado do 1º turno reflete fatores do governo e da campanha.

Carregando anúncio...
Compartilhar:
Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O jornalista e consultor de comunicação e estratégia Marcello D’Angelo afirmou no domingo (4.out.2026) que a estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de apostar na polarização e no discurso de "nós contra eles" se esgotou.

A declaração foi dada durante uma live especial sobre a apuração do 1º turno das eleições de 2026, em uma transmissão que reuniu jornalistas e especialistas para analisar os resultados em tempo real.

Imagem da notícia
📸 2

Na avaliação de D’Angelo, o desempenho de Lula nas urnas decorre de fatores ligados tanto ao governo quanto à campanha eleitoral.

Imagem da notícia
📸 2

"Eu acho claramente em ambos", afirmou ao ser questionado se o resultado poderia ser atribuído a erros nessas duas frentes.

Segundo D’Angelo, o 3º mandato do petista não apresentou entregas suficientes para corresponder às expectativas dos eleitores que o levaram novamente ao Palácio do Planalto.

"O país não consegue corresponder, ou o governo não consegue corresponder às expectativas deste eleitor que lhe deu ali um terceiro mandato", declarou.

D’Angelo afirmou que houve uma concentração de medidas e benefícios no último ano do mandato, ao mesmo tempo em que o governo construiu uma estratégia eleitoral baseada na contraposição aos adversários, entre eles o campo político ligado ao bolsonarismo, marcado pela herança de Jair Bolsonaro, criticado por sua atuação na pandemia e por ataques ao processo eleitoral.

"O governo já foi jogando a campanha do Lula para uma situação de aposta do ‘nós contra eles’. Isso foi sendo construído durante o governo e acho que isso foi um grande equívoco", disse.

Para o analista, a polarização deixou de ser suficiente para sustentar a estratégia eleitoral do presidente.

"Esse modelo parece claramente esgotado. Não existe mais essa situação de ‘nós contra eles’. Existe uma situação de oportunidades e desafios para o Brasil", afirmou.

D’Angelo também disse considerar que Lula dependia mais da manutenção dessa dinâmica do que seus principais adversários.

"Mais do que o Bolsonaro, mais do que o Flávio Bolsonaro, quem dependia dessa polarização foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva", declarou.

Lula e Flávio Bolsonaro (PL) avançaram para o 2º turno da disputa presidencial.

D’Angelo também afirmou que os resultados do 1º turno podem representar uma mudança de ciclo na política brasileira.

Segundo ele, o desempenho de candidatos de direita em diferentes Estados mostrou uma movimentação que não havia sido captada integralmente pelas pesquisas eleitorais divulgadas antes da votação.

Na véspera do pleito, levantamento do PoderData/Aya mostrava Lula com 45% dos votos válidos e Flávio com 43%. Outros levantamentos também indicavam uma disputa mais apertada: a Quaest registrava 46% a 45% e o Datafolha, 45% a 42%, ambos com Lula numericamente à frente.

Para D’Angelo, a eleição também deve ser analisada em uma perspectiva mais ampla por causa da trajetória política de Lula, que disputa eleições presidenciais desde 1989.

"Eu acho que a gente vive, sim, um momento histórico, de uma virada muito grande, com encerramento de mais um macrociclo da política brasileira", afirmou.

As informações foram publicadas pelo Poder 360.

15visualizações
Compartilhar:
Carregando anúncio...

Publicado em 5 de outubro de 2026 às 05:08

Notícias Relacionadas

Nenhuma notícia encontrada.