O presidente da Câmara, Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba, articula um amplo bloco partidário para fortalecer sua candidatura à reeleição no comando da Casa, em fevereiro de 2027. A movimentação pode deixar a numerosa bancada do PL isolada e pressionar o partido a apoiar o deputado.

Na quarta-feira, 15 de outubro, Motta reuniu dirigentes e líderes partidários em um almoço para confirmar a continuidade do bloco formado por União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB, Cidadania e Podemos.
O plano é ampliar a aliança durante a eleição interna da Câmara. A articulação busca incluir partidos de esquerda, como PT, PCdoB, PSB e PDT, além de legendas de centro, entre elas Solidariedade, PRD e Avante.
Os aliados de Motta calculam que a união entre partidos do centro e da esquerda poderá superar 350 deputados. O número seria quase três vezes maior que a bancada eleita pelo PL, que conquistou 121 cadeiras nas eleições de 2026.

Se permanecer fora do bloco, o partido de Flávio Bolsonaro poderá ficar sem uma vaga efetiva na Mesa Diretora da Câmara. A legenda também seria deslocada para o fim da ordem de escolha das comissões temáticas.

A previsão do grupo de Motta é que o PL ficaria apenas com uma suplência na Mesa Diretora e teria a 16ª escolha entre as comissões. Com isso, poderia perder a possibilidade de comandar colegiados considerados estratégicos.

Esse cenário atingiria os planos do deputado federal Nikolas Ferreira, de Minas Gerais. Uma das principais lideranças do PL na Câmara, ele pretende disputar a presidência da Comissão de Constituição e Justiça no próximo ano.
A articulação também tenta impedir o lançamento de uma candidatura própria do PL à presidência da Câmara. O partido tem pelo menos dois pré-candidatos: Sóstenes Cavalcante e Altineu Côrtes, ambos do Rio de Janeiro.
Para evitar o isolamento, o PL poderá ser obrigado a negociar sua entrada no bloco e apoiar a reeleição de Motta. A decisão terá impacto na distribuição dos cargos da Mesa Diretora e no comando das comissões.
Na primeira eleição de Motta para a presidência da Câmara, em fevereiro de 2025, ele reuniu 17 partidos de diferentes posições políticas. Juntas, as legendas somavam 489 deputados, e o PL também participou daquela aliança.





