A transição entre o governo de Mateus Simões, do PSD, e a futura gestão de Cleitinho Azevedo, do Republicanos, começou com cobranças públicas, desconfiança sobre as contas de Minas Gerais e troca de acusações.

O conflito envolve os recursos para pagar servidores e a previsão de déficit em 2027. Cleitinho pediu que Simões não faça "sacanagem" contra a futura administração e afirmou que eventuais dificuldades atingiriam principalmente a população mineira.
Em pronunciamento no Senado na quinta-feira, 15 de outubro, o governador eleito cobrou transparência. "Qualquer coisa que você for fazer achando que vai me prejudicar, você não vai me prejudicar, vai prejudicar a população mineira", declarou.
Cleitinho também questionou os alertas sobre uma possível falta de recursos no começo de 2027. Após as cobranças feitas no Senado, ele teve um pico de pressão e precisou receber atendimento médico.
O governador eleito anunciou que pretende realizar auditorias e revisar contratos de órgãos e empresas estaduais, incluindo a Companhia Energética de Minas Gerais. Ele ainda mencionou uma prisão por suspeita de corrupção no Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais e prometeu verificar os contratos firmados pelo estado.
Em resposta, o governo Simões declarou que as obras e empresas estaduais são fiscalizadas pelos órgãos competentes e que os documentos estão disponíveis às autoridades. A atual gestão afirmou ainda que a transição começou em 6 de outubro, respeita as exigências legais e terá reuniões transmitidas pela internet e pela Rede Minas.
Sobre a situação fiscal, o governo informou que a despesa com pessoal caiu de 66,65% da Receita Corrente Líquida, em 2018, para 48,80% no relatório mais recente. Segundo a gestão, o resultado veio de medidas adotadas desde 2019 para conter despesas e ampliar receitas.
O Executivo estadual também argumentou que o déficit previsto no orçamento de 2027 é apenas uma estimativa. Como exemplo, citou 2025, quando a previsão era de déficit de R$ 8,6 bilhões, mas o estado, segundo o governo, encerrou o ano com superávit de R$ 1,108 bilhão.
A gestão Simões acrescentou que caberá ao futuro governo promover os ajustes que considerar necessários nas contas estaduais.
O pagamento dos servidores foi o primeiro grande ponto de atrito. Depois das cobranças de Cleitinho, Simões anunciou que o salário referente a dezembro será depositado até 6 de janeiro, data da posse do sucessor, e que o 13º salário será pago integralmente ainda em 2026.
Antes da nova manifestação do governador eleito, Simões já havia acusado Cleitinho de "jogar para a plateia" e proposto a realização de reuniões públicas e televisionadas durante a transição.
A disputa mostra a divergência sobre a situação financeira que Cleitinho encontrará. O governador eleito cobra garantias contra possíveis restrições de caixa, enquanto Simões sustenta que entregará as contas organizadas e atribui ao sucessor a responsabilidade pelos ajustes de 2027.
As próximas reuniões deverão esclarecer quanto haverá disponível em caixa, quais despesas estarão comprometidas e qual será a margem para Cleitinho cumprir propostas como reduzir o IPVA, ampliar repasses aos municípios e atender às reivindicações dos servidores.





