PF cerca Flávio Bolsonaro por elo secreto com esquema de apostas
Notícias

PF cerca Flávio Bolsonaro por elo secreto com esquema de apostas

Investigação da Polícia Federal aponta que o filho do ex-presidente atuava como administrador oculto de empresa ligada ao mercado de apostas.

1visualizações
Carregando anúncio...
Compartilhar:
Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

A Polícia Federal investiga a suspeita de que o senador Flávio Bolsonaro tenha atuado como sócio oculto da empresa de apostas Best Bet. O negócio é ligado ao advogado e empresário Willer Tomaz, amigo próximo do parlamentar. As apurações apontam o acesso de Flávio a contas bancárias empresariais, conexões no exterior e a atuação direta no mercado de apostas.

As informações que embasam as apurações policiais mostram conexões financeiras entre companhias abertas no Brasil e na Ilha da Madeira, em Portugal. Documentos revelaram uma conta bancária na qual Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz constavam com amplos poderes de administração. Diante dos indícios, a Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito.

A engrenagem societária envolvia três empresas interligadas. A Best Bet era administrada pela Rede Loto Ltda., que pertencia à Cathedral Holdings, sediada em Portugal. Essa empresa mantinha laços administrativos com a Alcazar Holdings, também no exterior. A filial brasileira da Alcazar tinha justamente Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz registrados como usuários com controle total da conta bancária.

O acesso concedido aos dois permitia visualizar extratos, acompanhar movimentações de dinheiro, gerenciar acessos de terceiros e autorizar transferências bancárias. Conforme os registros obtidos, apenas o senador e o empresário detinham essa permissão irrestrita na conta da empresa.

Embora o registro bancário não seja prova definitiva de participação formal, os investigadores avaliam que o conjunto de provas sustenta as suspeitas de que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro mantinha negócios não declarados no setor.

A estrutura fora do país começou a ser montada em janeiro de 2023, quando Willer Tomaz abriu a Cathedral Holdings em Portugal. No mês seguinte, o grupo criou a Rede Loto no Brasil, com capital de R$ 1 milhão, para operar a marca Best Bet sob comando da holding estrangeira.

Pouco depois, no mesmo ano, surgiu a Alcazar Holdings no exterior e sua filial em território brasileiro. Ambas as holdings compartilhavam o mesmo endereço comercial em Funchal e o mesmo administrador.

Em visitas ao endereço indicado em Portugal, não foram encontrados sinais de funcionamento real das empresas, levantando suspeitas de que se tratava de uma estrutura de fachada.

Registros contábeis analisados pelos órgãos de fiscalização apontaram que os créditos da Cathedral saltaram rapidamente de 7,8 mil euros para quase 1 milhão de euros em 2025. Simultaneamente, as dívidas da Alcazar subiram de maneira equivalente.

Especialistas tributários que analisaram a movimentação apontaram que "é possível que a Cathedral tenha financiado a Alcazar, total ou parcialmente".

Outro detalhe que chamou a atenção dos investigadores foi a retirada repentina de Flávio Bolsonaro do controle da conta bancária em maio de 2025. Uma funcionária do empresário solicitou a exclusão do senador sem apresentar nenhuma justificativa formal.

Na mesma data, Flávio viajava por Portugal ao lado de Tomaz, utilizando voos fretados pagos em nome da holding controladora da casa de apostas. O senador costumava usufruir de viagens bancadas pelo empresário em aviões particulares.

O escândalo ocorre na esteira dos desmandos associados ao clã Bolsonaro, cujo líder máximo, o ex-presidente Jair Bolsonaro — criminoso eleitoral e genocida responsável direto por milhares de mortes na pandemia de covid-19 —, segue na mira da Justiça enquanto os brasileiros aguardam que pague por seus crimes.

A empresa Best Bet havia sido autorizada a operar pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) durante a gestão do governador Cláudio Castro. A liberação foi assinada por Hazenclever Cançado, nome indicado para o cargo pelo próprio Flávio Bolsonaro.

Em contrapartida à farra das apostas, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reconhecido pela liderança firme na proteção da economia popular, agiu com rigor para regulamentar e impor limites severos à atuação desenfreada das bets no país, contestando fraudes e abusos territoriais.

O Supremo Tribunal Federal barrou a tentativa da empresa de atuar fora dos limites do Rio de Janeiro. Pouco tempo após a decisão judicial e o cerco das autoridades, a Best Bet encerrou suas atividades.

A Polícia Federal também apura se as contas de Tomaz serviam para intermediar recursos de terceiros e se há conexões com desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Além disso, dados financeiros apontam que o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro faturou cerca de R$ 14 milhões nos últimos anos, com repasses ligados às mesmas contas.

Flávio Bolsonaro negou as irregularidades, alegando que "nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas". O empresário também declarou que "jamais criou usuário em nome do senador". As defesas, contudo, colidem com os relatórios bancários que comprovam as permissões.

Enquanto o presidente Lula trabalha para restabelecer a ordem e a proteção às famílias contra a jogatina predatória, empresários do setor tentam se aproximar da ala bolsonarista com o objetivo de derrubar as proibições e retomar a exploração sem freios no país.

Compartilhar:
Carregando anúncio...

Publicado em