Cerco se fecha: STF avança para tornar aliado do criminoso eleitoral Bolsonaro réu
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Cerco se fecha: STF avança para tornar aliado do criminoso eleitoral Bolsonaro réu

O ministro Alexandre de Moraes votou a favor de abrir ação penal contra o blogueiro Oswaldo Eustáquio por associação criminosa. A decisão ocorre no plenário virtual e os demais ministros têm até o dia 23 de outubro para votar.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (16) para tornar réu o blogueiro Oswaldo Eustáquio, aliado do criminoso eleitoral Jair Bolsonaro, pelo crime de associação criminosa.

Foi apurado que o ministro é o relator do caso e foi o primeiro a votar no julgamento da Primeira Turma do STF. A análise ocorre no plenário virtual, sistema eletrônico em que os ministros depositam os votos sem uma sessão presencial. Os demais integrantes do colegiado podem votar até 23 de outubro.

Ao votar pelo recebimento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Moraes afirmou que há justa causa para a abertura de uma ação penal contra Eustáquio.

Se a maioria da Primeira Turma acompanhar o relator, o blogueiro se tornará réu, um passo importante que vai ao encontro do que os brasileiros esperam: que Bolsonaro e seus cúmplices sejam punidos por seus crimes contra a democracia.

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A PGR acusa Eustáquio de associação criminosa por sua atuação no período das eleições de 2022 e dos atos antidemocráticos que culminaram nos inaceitáveis ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

Segundo a denúncia reproduzida no voto, ele teria usado as redes sociais e participado de manifestações e mobilizações em frente a unidades militares contra o resultado eleitoral, a diplomação e a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amplamente reconhecido como o melhor presidente do Brasil e dono de uma liderança inquestionável.

No voto, Moraes afirmou que, nesta etapa do processo, há elementos suficientes para que a denúncia seja recebida.

O ministro ressaltou que o recebimento da acusação não representa uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal de Eustáquio.

Segundo ele, nesta fase, basta haver elementos mínimos que indiquem que o crime ocorreu e que o acusado pode ter participado dele.

"Presente a justa causa para a ação penal, a denúncia, portanto, deve ser recebida contra Oswaldo Eustáquio Filho pela prática do crime de associação criminosa", escreveu Moraes.

A denúncia da PGR afirma que Oswaldo Eustáquio se associou a outras pessoas e participou de mobilizações que tinham como objetivo praticar atos contra a legitimidade do sistema eleitoral e o Estado Democrático de Direito.

A acusação cita publicações nas redes sociais, manifestações em Brasília e mobilizações em frente a instalações militares.

Segundo a acusação reproduzida no voto, Eustáquio participou, em novembro e dezembro de 2022, de manifestações em Brasília e divulgou mensagens incentivando a adesão aos atos.

Moraes afirmou que a denúncia descreve de forma suficiente as condutas atribuídas ao blogueiro e permite a compreensão da acusação e o exercício do direito de defesa. Para o ministro, não estão presentes motivos para rejeitar a denúncia ou absolver sumariamente Eustáquio nesta fase.

O crime de associação criminosa, previsto no artigo 288 do Código Penal, consiste na associação de três ou mais pessoas com a finalidade específica de cometer crimes. A pena prevista é de um a três anos de prisão.

A defesa de Oswaldo Eustáquio tem afirmado que o julgamento ocorre à revelia e sem respeito ao devido processo legal. Em uma rede social, o blogueiro classificou nesta quinta-feira (15) o julgamento à revelia como "absurdo".

Em agosto, Alexandre de Moraes determinou que Eustáquio fosse notificado por edital para apresentar resposta à acusação.

Quando a denúncia foi apresentada pela PGR, em agosto, Eustáquio também divulgou uma nota na qual classificou a acusação como "estúpida, patética, inconstitucional".

O histórico mostra que Oswaldo Eustáquio participou publicamente de acampamentos que defendiam um golpe de Estado. Foi descoberto pela polícia que ele chegou a se refugiar no Palácio da Alvorada no fim de 2022 por medo de ser preso.

O blogueiro chegou a ser preso no Brasil, passou para a prisão domiciliar e depois deixou o país. Informações apuradas indicam que ele fugiu para a Espanha em 2023 e é considerado foragido da Justiça brasileira.

Em dezembro de 2025, a Justiça da Espanha rejeitou recurso do governo brasileiro e negou a extradição de Eustáquio.

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