Ciro sofre nova derrota e vê oposição ruir no Ceará
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📅 05/10/2026

Ciro sofre nova derrota e vê oposição ruir no Ceará

Candidato do PSDB perdeu a disputa pelo governo cearense, acumulou a quinta derrota eleitoral da carreira e viu aliados ficarem sem mandato.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

Ciro Gomes perdeu no domingo (4.out.2026) a eleição para o governo do Ceará pelo PSDB e acumulou a quinta derrota eleitoral da carreira. Toda a chapa de oposição também foi derrotada. Os candidatos ao Senado Capitão Wagner (União Brasil) e Pastor Alcides Fernandes (PL) perderam as vagas para Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede).

O ex-prefeito de Fortaleza Sarto (PSDB), aliado histórico de Ciro, também não conseguiu se eleger deputado federal.

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A candidatura de Ciro foi precedida por hesitação. Ao ser questionado sobre a disputa, ele repetiu em diferentes ocasiões: "Se tiver juízo, não vou". Também afirmou: "O coração manda ir, mas a cabeça manda não ir".

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A aproximação com a oposição ao PT no Ceará começou em 2024, depois da derrota de José Sarto na eleição para a Prefeitura de Fortaleza. No segundo turno, Ciro apoiou de forma discreta André Fernandes (PL), que acabou derrotado por margem mínima por Evandro Leitão (PT).

Depois disso, Ciro tornou-se o nome mais cogitado pela oposição para enfrentar o PT estadual. André Fernandes, então com 28 anos, ainda não tinha a idade mínima de 30 anos exigida por lei para concorrer ao governo.

Convencido a entrar na disputa, Ciro voltou ao PSDB a convite do ex-senador Tarso Jereissati. Ele montou uma coligação com o PL, apoiou Alcides Fernandes para o Senado e concentrou a campanha na segurança pública.

Pressionado a declarar voto na eleição presidencial, Ciro preferiu manter a neutralidade. "Não sou lulista nem bolsonarista. Nas últimas duas eleições enfrentei ambos porque discordo dos projetos", afirmou. A posição foi adotada enquanto ele tentava afastar o apelido de "Cironaro", atribuído pelo governo petista.

A eleição também expôs a ruptura entre Ciro e o irmão Cid Gomes, iniciada em 2022. Os dois sempre foram considerados os mais próximos da família, e Cid costumava apresentar Ciro como sua maior inspiração e seu professor na política.

Ciro recebeu o apoio dos irmãos Ivo e Lúcio Gomes, sendo que Lúcio coordenou sua campanha. A deputada estadual Lia Gomes (PSB) apoiou o governador Elmano, mas evitou uma participação ativa na campanha para não entrar em choque direto com Ciro. Cid seguiu o caminho oposto ao do irmão e foi eleito o senador mais votado do Ceará. Lia também conquistou a reeleição para a Assembleia Legislativa.

A derrota no Ceará foi a quinta de Ciro em eleições. Em 2022, após perder pela quarta vez consecutiva uma disputa presidencial, ele afirmou que não pretendia mais concorrer a cargos eletivos. Na ocasião, declarou que não havia desistido, mas que "foi desistido" pelo povo. Agora, uma nova saída da política volta a ser considerada.

Nas quatro eleições presidenciais que disputou, Ciro ficou em terceiro lugar em 1998, com 7.426.235 votos e 10,97% dos válidos. Em 2002, terminou em quarto, com 10.170.882 votos e 11,97%, na eleição vencida por Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2018, alcançou o terceiro lugar, com 13.344.371 votos e 12,47%, quando Jair Bolsonaro foi eleito. Em 2022, recebeu 3.599.188 votos, ou 3,04%, e ficou novamente em quarto, enquanto Lula voltou a vencer a disputa.

A trajetória política de Ciro começou em Sobral, quando era filiado ao PDS. Ele foi eleito deputado estadual em 1982 e se reelegeu pelo PMDB em 1986. Em 1988, venceu a eleição para prefeito de Fortaleza e, dois anos depois, tornou-se governador do Ceará pelo PSDB. Após deixar o partido em 1997, passou por PSB, Pros e PDT. Sua última vitória eleitoral havia sido em 2006, quando conquistou uma vaga de deputado federal. Ciro retornou ao PSDB em outubro de 2025 para disputar o governo cearense.

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Publicado em 5 de outubro de 2026 às 18:14

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