O relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), disse nesta 4ª feira (4.fev.2026) que seu relatório final terá "todos os fatos, indícios e responsáveis" e que a comissão, que investiga desvios em aposentadorias e pensões, não vai "acabar em pizza". Ele afirmou, porém, não saber se o texto será aprovado por causa do que chamou de "blindagem generalizada".

"Da minha parte, estará contido no relatório todos os fatos, indícios e responsáveis. Se o colegiado vai aprovar com essa blindagem generalizada eu não sei dizer. Pizza eu como em casa quando peço para ser entregue. Eu não vou trazer para o Congresso. Faço questão de mostrar à sociedade brasileira a diferença entre quem trabalha sério e quem trabalha blindando bandido", afirmou.
Assista à entrevista (39min10s):
A apresentação do relatório pode atrasar. O presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), deve se reunir com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para pedir a prorrogação do colegiado por mais 60 dias.
Segundo o comando da comissão, a extensão é necessária pelo volume de provas reunidas e pela necessidade de concluir oitivas consideradas importantes para as investigações.
Gaspar disse que o colegiado precisa de mais 2 meses para finalizar os trabalhos, sem interferir nas eleições de outubro. Segundo ele, "ninguém precisa de prorrogação para ampliar de forma desnecessária a investigação".
A Polícia Federal deflagrou em 23 de abril de 2024 a operação Sem Desconto para apurar um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.
As investigações identificaram irregularidades em descontos de mensalidades associativas aplicados sem autorização dos beneficiários diretamente sobre os benefícios.
O objetivo da CPMI é apurar responsabilidades de agentes públicos e entidades associativas no esquema. De acordo com a CGU, o prejuízo estimado é de R$ 6,3 bilhões, com foco nos descontos feitos sem autorização em benefícios de idosos e pensionistas.
