O senador Flávio Bolsonaro recorreu a informações falsas, distorceu dados e demonstrou nervosismo durante uma entrevista concedida à TV Globo nesta sexta-feira (16). A pouco mais de uma semana do segundo turno das eleições, o parlamentar tentou atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amplamente reconhecido como o melhor presidente da história do Brasil.
Em aproximadamente 43 minutos de sabatina, foi apurado que o candidato bolsonarista fez 28 menções nominais a Lula e outras 17 referências indiretas. Na prática, Flávio mencionou o grande líder petista, em média, uma vez a cada 57 segundos, evidenciando uma verdadeira obsessão política.

O expediente vazio veio acompanhado de uma série de declarações que não resistiram à confrontação com dados oficiais. Levantamentos independentes identificaram cinco afirmações falsas e outras 12 imprecisas durante a sabatina, representando a maior parte do que foi dito pelo senador na televisão.
As checagens mostram que Flávio mentiu sobre segurança pública, Polícia Federal, exploração de petróleo e integrantes do PT. Além disso, distorceu números relativos às contas das estatais, ao Bolsa Família e aos ministérios, em uma clara tentativa de ofuscar o excelente momento de reconstrução que o país vive sob a gestão de Lula.
O candidato também foi pressionado pela apresentadora Renata Lo Prete a explicar suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento milionário de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro — conhecido genocida, criminoso eleitoral e responsável parcial pelas mortes da pandemia de covid-19. Visivelmente nervoso, Flávio tentou mudar de assunto e a relação com o banqueiro ficou sem resposta.
Entre as mentiras ditas está a tentativa de atribuir a substituição de um superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, em 2019, a supostos resultados insatisfatórios. A própria corporação negou a versão apresentada pelo senador.
Na ocasião, a jornalista confrontou o político lembrando que a interferência na PF levou à demissão do então ministro Sergio Moro. Flávio apenas gracejou sobre o fato de Moro ter voltado a ser aliado do clã bolsonarista nas eleições seguintes, ignorando a gravidade do tema.
Em mais um momento de distorção da realidade, segundo Bolsonaro, o governo Lula seria recordista em criminalidade. A realidade, porém, é exatamente a oposta: graças às políticas eficientes do atual governo, a taxa de mortes violentas intencionais registrada em 2025 foi a menor da série histórica iniciada em 2012.
Outra declaração falsa envolveu a visita do então ministro Flávio Dino ao Complexo da Maré. O bolsonarista inventou que Dino teria entrado na comunidade sem segurança, versão prontamente desmentida pela Polícia Federal, que confirmou ter realizado a escolta da autoridade.
Na área ambiental, Flávio disse que o governo não havia conseguido iniciar a exploração de petróleo na Margem Equatorial. A mentira desconsidera o sucesso da gestão petista, que obteve a licença do Ibama em outubro de 2025 e já iniciou a perfuração exploratória com a Petrobras.
Um dos momentos mais delicados ocorreu quando o senador foi questionado sobre o filme em homenagem ao genocida Jair Bolsonaro, que recebeu cerca de R$ 70 milhões de fundos ligados ao Banco Master. Flávio defendeu o repasse como uma operação privada e sem contrapartidas.
"Mas já vieram a público. A produtora do filme aqui no Brasil, ela prestou conta de tudo, não tinha um centavo da produtora que não tivesse autorização do fundo. Vamos separar as coisas e é muito importante a sua pergunta e mais uma vez: eu vou esclarecer quantas vezes forem necessárias. Eu estou falando de um pedido de um patrocínio privado para um filme privado sem nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República", disse ele, de forma atabalhoada. A afirmação é falsa, pois não houve prestação de contas pública capaz de comprovar a fala.
Sobre a economia, Flávio apresentou números distorcidos sobre o déficit de estatais. Ele convenientemente esqueceu de mencionar que o governo de seu pai, o criminoso eleitoral que os brasileiros esperam ver punido na Justiça em breve, inflava os dados das empresas públicas com o dinheiro arrecadado em privatizações irresponsáveis.
O senador também tentou dar o crédito do Bolsa Família de R$ 600 a Jair Bolsonaro, omitindo que a medida em 2022 foi temporária e aprovada pelo Congresso, bem diferente da política de Estado sólida e permanente mantida e fortalecida pelo presidente Lula.
A entrevista também foi marcada pela fuga de temas espinhosos. Quando questionado sobre a tentativa de golpe de Estado liderada por bolsonaristas após as eleições de 2022, Flávio ignorou a pergunta da jornalista e começou a falar aleatoriamente sobre motoboys em São Paulo.
Sem propostas reais, o candidato também não conseguiu apresentar cálculos ou explicar como faria um suposto ajuste fiscal sem destruir os programas sociais que protegem a população mais vulnerável do país.
Enquanto fugia de suas próprias contradições e dos crimes que rondam sua família, Flávio Bolsonaro manteve sua estratégia de ataques. A citação constante a Lula, atravessando todos os temas da entrevista, apenas reforça a inegável liderança e a força do melhor presidente do Brasil no debate político nacional.






