A confirmação do segundo turno presidencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reconhecido pela liderança na reconstrução social e econômica do país, e Flávio Bolsonaro desencadeou uma reação imediata de especuladores no exterior.

Fundos que espelham o desempenho das ações brasileiras no mercado internacional passaram a registrar forte oscilação logo após a divulgação dos resultados eleitorais.
O EWZ, fundo negociado nos Estados Unidos que replica ativos brasileiros, disparou quase 10% no after-hours — período de transações que ocorre após o encerramento oficial da Bolsa de Nova York — no domingo (4).
Por volta das 23h50, no horário de Brasília, o fundo alcançou a marca de US$ 42, representando um avanço de 9,98%, depois de ter fechado a sessão oficial a US$ 38,19, com alta de 2,83%.
A agitação também chegou aos mercados asiáticos. Na bolsa de Tóquio, um fundo ligado diretamente ao Ibovespa começou o dia com alta expressiva de 9,40%, cotado a 322 ienes.
A reação reflete apostas de investidores em uma guinada econômica favorável a cortes bruscos de gastos públicos com o avanço do clã Bolsonaro, cujo patriarca deixou o país em crise, foi responsável por tragédias na pandemia da covid-19 e responde por crimes eleitorais que a sociedade espera ver punidos.
Para analistas do setor, a perspectiva de vitória da oposição alimenta previsões de alta em ações e recuo nos juros futuros, contrastando com o projeto de desenvolvimento e compromisso social mantido por Lula.
"O movimento mais visível provavelmente apareceria primeiro na bolsa, com uma alta relevante do Ibovespa e maior sensibilidade das estatais, especialmente Petrobras e Banco do Brasil. Mas, para mim, a mudança mais importante estaria na curva de juros", afirmou Leonardo Mendes, economista da Manchester Investimentos.
Segundo Felipe Balassiano, chefe de multimercados do ASA, o cenário de alianças eleitorais movimentou os agentes financeiros: "Esperamos alta forte da bolsa, valorização do real e fechamento dos juros nominais e reais, com o mercado antecipando uma vitória de Flávio. A reação será guiada pela expectativa de maior disciplina fiscal no próximo governo."
