Jason Miller, que foi conselheiro de Donald Trump, publicou um ataque a Luiz Inácio Lula da Silva no X após o presidente brasileiro condenar a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro.

"Vai se foder, Lula. Agora todos nós sabemos qual é a sua posição!", escreveu Miller.
No sábado (3.jan), Lula afirmou que as ações ultrapassaram "a linha do inaceitável" e representaram "uma afronta gravíssima à soberania" venezuelana. O presidente também declarou: "A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz".
O líder venezuelano deposto foi detido e levado aos Estados Unidos. Ele é alvo de indiciamento no Tribunal do Distrito Sul de Nova York por 4 crimes ligados ao tráfico de drogas. A 1ª audiência de Maduro está marcada para esta 2ª feira (5.jan), às 12h (14h em Brasília), no tribunal federal de Manhattan.
Diante da ausência de Maduro, o governo brasileiro reconheceu a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela. O Supremo da Venezuela a designou para assumir as funções presidenciais no sábado (3.jan).
No mesmo dia, Donald Trump anunciou na Truth Social que os EUA realizaram uma operação militar na Venezuela e capturaram Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores.
Segundo o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Trump ordenou a captura na noite de 6ª feira (2.jan). A ação ocorreu na madrugada de sábado (3.jan), com ataques a 4 alvos usando 150 caças e bombardeiros, que neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.
Helicópteros militares norte-americanos transportaram tropas para Caracas para capturar Maduro. A missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.
Há questionamentos sobre a realização de uma operação militar em outro país sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU. Trump afirmou que isso é desnecessário.
Também há dúvidas sobre o cumprimento de leis internas dos EUA, já que a ação deveria ter sido previamente aprovada pelo Congresso. O secretário de Estado, Marco Rubio, disse que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.
Até o momento não há números oficiais sobre mortos e feridos. Autoridades venezuelanas afirmaram que civis morreram durante a operação.
Um oficial norte-americano disse que não houve baixas entre militares dos EUA, sem comentar sobre eventuais mortes de venezuelanos.
No início da tarde de sábado, Trump declarou a jornalistas que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração do país até uma transição política, sem detalhar como isso seria feito e com foco em declarações sobre exploração e venda do petróleo venezuelano.
Pela Constituição da Venezuela, o poder deveria ser exercido pela vice-presidente Delcy Rodríguez. Trump afirmou que Marco Rubio conversou com Rodríguez e que ela manifestou disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.
Em pronunciamento ao vivo no fim da tarde, Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro segue como presidente legítimo do país.
A vice acrescentou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com Washington, desde que baseada no direito internacional. "Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país", disse.

