Fábrica clandestina de peças de fuzis operava no interior de SP; dono é procurado pela Interpol
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📅 05/11/2025

Fábrica clandestina de peças de fuzis operava no interior de SP; dono é procurado pela Interpol

A Polícia Federal desmantelou uma linha de produção de peças de fuzis em Santa Bárbara d'Oeste; o esquema abastecia CV e PCC e o proprietário está foragido.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

As facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) figuram entre os principais clientes de uma metalúrgica de fachada que fabricava peças de armamento no interior de São Paulo, estado governado por Tarcísio de Freitas (PL-SP).

A empresa, instalada em Santa Bárbara d'Oeste, foi alvo de operação da Polícia Federal (PF) em 21 de agosto. O esquema funcionava dentro da Kondor Fly Parts Indústria e Comércio de Peças Aeronáuticas, de propriedade de Gabriel Carvalho Belchior, que está foragido e é procurado pela Interpol.

O inquérito aponta que a quadrilha trabalhava à noite, produzindo peças de fuzis com maquinário de alta precisão, como máquinas CNC (Controle Numérico Computadorizado) e centros de usinagem, normalmente usados na indústria aeroespacial.

A PF descobriu o esquema após monitorar funcionários que transportavam caixas pesadas em horários incomuns para um imóvel em Americana (SP), cidade vizinha, que servia como depósito e ponto de montagem final. No local, agentes encontraram 35 conjuntos de peças de fuzis do tipo AR-15, dois silenciadores e dezenas de caixas com componentes metálicos.

De acordo com a denúncia, Belchior cedeu a estrutura industrial da Kondor Fly para os comparsas operarem clandestinamente. Anderson Custódio Gomes e Janderson Aparecido Ribeiro de Azevedo, presos em flagrante, eram responsáveis pela programação e operação das máquinas, enquanto Wendel dos Santos Bastos cuidava da logística e compra de insumos, recebendo R$ 69 mil mensais pelo arrendamento da fábrica.

A quadrilha vendia armas e peças para intermediários no Rio de Janeiro, Bahia e Ceará. Segundo o relatório policial, cada fuzil era comercializado por valores entre R$ 8 mil e R$ 15 mil, com parte dos pagamentos movimentada em contas de terceiros para dificultar o rastreamento.

Um dos projetos digitais de armas apreendidos fazia referência direta às siglas CV e PCC, reforçando a ligação das facções com a produção ilegal.

A operação foi conduzida pelo delegado Jeferson Dessotti Cavalcante Di Schiavi, da PF de Campinas, com apoio do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), que efetuou as prisões.

A PF do Rio de Janeiro também investiga a conexão entre a fábrica paulista e um núcleo criminoso carioca responsável por distribuir armas a facções e milícias que disputam territórios na capital fluminense. Segundo investigadores, o esquema combinava tecnologia de ponta e logística descentralizada para abastecer o crime organizado em várias regiões do país.

Entre os alvos, operários citaram um homem identificado como "Milque", suposto gerente da Kondor Fly e supervisor das atividades noturnas. Com a apreensão das peças e documentos técnicos, a PF tenta rastrear a rota internacional de fornecimento de insumos e confirmar o paradeiro de Belchior, que estaria escondido na Flórida (EUA).

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Publicado em 5 de novembro de 2025 às 11:23

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