Flávio Bolsonaro acumula apoios controversos
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📅 06/10/2026

Flávio Bolsonaro acumula apoios controversos

Campanha reúne manifestações de apoio de pessoas condenadas por assassinato e de nomes envolvidos em acusações de crimes graves.

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Ronny Teles

Ronny Teles

Combatente pela democracia

A campanha de Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026 recebeu manifestações de apoio de pessoas condenadas por assassinato e de nomes envolvidos em acusações de crimes graves. Entre eles estão Cristian Cravinhos, Daniel Alves e Alfredo Gaspar, candidato a vice na chapa.

Os apoios repetem um padrão observado na trajetória política de Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado. O ex-presidente também recebeu declarações favoráveis de condenados como o ex-goleiro Bruno, sentenciado pela morte de Eliza Samudio.

Cristian Cravinhos foi condenado pelo assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen, pais de Suzane von Richthofen. Ele recebeu pena de 38 anos e 6 meses de prisão.

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Em agosto de 2026, Cristian publicou vídeos nas redes sociais nos quais declarou voto em Flávio Bolsonaro. Em uma das gravações, afirmou: "Eu voto 22". Ele relacionou sua escolha a temas como segurança, educação e saúde.

Daniel Alves foi condenado em 2024, na Espanha, a quatro anos e meio de prisão por agressão sexual. O processo envolvia uma mulher que afirmou ter sido abusada em uma boate de Barcelona. Posteriormente, uma instância superior da Justiça catalã absolveu o ex-jogador por insuficiência de provas.

Em 5 de outubro de 2026, Daniel Alves publicou um vídeo em apoio a Flávio. Ele afirmou que o "Espírito Santo" teria "soprado" o nome e o número do candidato e pediu união em torno da campanha.

Alfredo Gaspar, candidato a vice de Flávio, foi alvo de uma notícia-crime apresentada em março de 2026 pelo deputado Lindbergh Farias e pela senadora Soraya Thronicke. O documento o acusa de estupro de vulnerável em um caso que envolveria uma adolescente de 13 anos.

Gaspar nega a acusação e afirma que o episódio diz respeito a um primo. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal e está sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes.

Outros condenados já declararam apoio à família Bolsonaro. Bruno, condenado pelo assassinato e pela ocultação do cadáver de Eliza Samudio, manifestou apoio a Jair Bolsonaro durante a eleição de 2022. Em um vídeo, afirmou ter recebido convites de partidos e declarou: "Não tem como não ser de direita".

O ex-ator Guilherme de Pádua, condenado pelo assassinato da atriz Daniella Perez em 1992, também apoiou Jair Bolsonaro. Depois de se tornar pastor, ele publicou vídeos em defesa do ex-presidente e de suas pautas durante a campanha de 2022. Pádua morreu em novembro daquele ano.

A ex-deputada federal Flordelis dos Santos de Souza, condenada por participação no assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, também declarou apoio a Bolsonaro durante sua trajetória política.

Em 2022, o ex-jogador Robinho usou as redes sociais para apoiar Jair Bolsonaro. Condenado a nove anos de prisão pela Justiça italiana por estupro coletivo, ele publicou uma foto com a camisa da seleção, fazendo o número dois com as duas mãos, e colocou "22" e uma bandeira do Brasil na legenda.

Outro nome ligado a manifestações favoráveis aos Bolsonaro é Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho. O ex-vereador do Rio de Janeiro é acusado de matar o enteado Henry Borel, de quatro anos.

Em 2020, durante uma transmissão com o ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella, Dr. Jairinho afirmou: "Queria pedir que Deus abençoe nosso presidente, Jair Bolsonaro. Está do nosso lado, né?".

Embora Dr. Jairinho não tenha declarado apoio público a Flávio em 2026, há registros de aproximação do candidato com sua família. Em 2021, circulou um vídeo no qual Coronel Jairo, pai do ex-vereador, apoiava Flávio para o Senado.

Na gravação, Coronel Jairo declarou: "Este é o meu candidato a senador, Flávio Bolsonaro. Pessoal de Itaguai, vamos votar".

Coronel Jairo foi preso em 2018 durante a operação Furna da Onça, que investigou um suposto esquema de pagamentos mensais a deputados estaduais em troca de apoio político na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Segundo o Ministério Público Federal, o esquema movimentou 54 milhões de reais em pagamentos para que parlamentares votassem com o governo na Alerj.

Coronel Jairo também esteve entre os parlamentares investigados pela CPI das Milícias, em 2008. A comissão pediu o indiciamento de mais de 200 pessoas acusadas de envolvimento com milícias no Rio, entre policiais militares, integrantes do Exército e policiais civis.

As declarações de apoio a candidatos da família Bolsonaro foram reunidas em um vídeo de campanha do Partido dos Trabalhadores, que questionou: "Afinal, assassino vota em quem?".

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Publicado em 6 de outubro de 2026 às 14:55

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